São Ilhas Afortunadas
São terras sem ter lugar,
Onde o Rei mora esperando
Mas, se vamos despertando
Cala a voz, e há só o mar. FERNANDO PESSOA
in Mensagem
Dizem que o céu é tal qual a gente imagina. Não vou dividir o meu céu ao vivo, ele é muito escandaloso. Alguém sabe o meu Segredo e o Cenário Meu. Um céu! O que sei é que a minha antiga visão de Céu evaporou com a certeza de que uma Ilha deserta é bom pra reabastecer o espírito. A Eternidade é outra história. Antes da viagem eu vi Hereafter. Difícil gostar de um filme americano. Gostei deste, tem final feliz. Final Feliz sem ser piegas. Cada vez que escrevo um romance eu coloco um final feliz, depois vou até o final e desconstruo. Dei um final feliz pra Lyn, em Constelação de Ossos, depois eu a matei. Na minha cabeça eu a matei, alguns lêem o livro e dizem que ela não morreu. Acho que a Literatura é este Mistério de MUITOS ESCREVENDO uma mesma história e o escritor é só o MAESTRO regendo as notas (palavras)...
Ano passado escrevi um livro, e o final feliz eu apaguei. Borrei tudo. Deixei tudo nublado de céu de tempestade. Quem faz ARTE não está nessa para explicar coisa alguma, nem para ajudar ninguém a ser Feliz. È o que eu penso, pele ardendo de sal, em uma lanhouse lerda que faz lembrar o tempo que a Internet era movida a carvão...
Fotografei barcos e ondas.
Adormeci no silêncio de um lugar.
Li Poesias e agora estou aqui.
Tem um pássaro cantando na árvore estancada diante desta porta.
Vou parar com tudo isto e vou pedir para ele me ensinar seu idioma.
Vou dizer para ele fazer um Poema para mim.
Sábado fiquei irada, no real sentido, com um programa que vi na Globo News (Espaço Aberto Literatura). Não gravei o nome do autor que escreveu uma biografia (?) de Fernando Pessoa. Preocupado em compor um retrato da pessoa do Pessoa e não da obra. Acho muito pequeno isto. Desqualificar um mito (como se isto fosse possível) Imaginação? Poesia está aquém e além do Imaginário. Está em um lugar que não se nomina.É Mistério. Caramba. E o que ele detrata é justamente o que há de mais potente na Obra do Pessoa - Extrair POESIA das pedras da rua, da tabacaria, da chuva oblíqua, de um menino jesus raptado do céu, do mar salgado, do Tejo e da rotina de um escritório. Não quero entrar em detalhes, tá na mídia este novo livro. Se quer sair na mídia basta criticar um grande autor. Criar polêmica. Mas, por conta desta minha ira instantânea agora estou nadando em luz. O rito contrário. Jogar luz em, ao invés de demolir. Surgiu um novo tema, um enredo interessante que tem a ver com Pessoa. Fernando Pessoa, é claro que só podia ser ele, o poeta que vou escrever em prosa. Já escrevi poesia para tantos poetas. Para os consagrados que me abalaram, para os que estão nesta estrada e que eu amei. Para tanta gente, e Pessoa ficou ali esperando. Dei de encontro com ele, com eles todos (o poeta múltiplo) e estou assim - nadando em luz...
Quem escrevia por vingança mesmo? Não lembro.
Vou escrever um livro por vingança.
Para não fugir pelos poros o tsunami lírico que me invade, vou dar uma trégua e vou pra uma praia. Preciso um lugar. Preciso silêncio.
Uma trégua no blog. Preciso.
Um lembrete:
Amanhã ( 05/04 ) é o último dia para quem deseja participar do concurso do Site O Bule - que vai sortear um exemplar do meu romance Constelação de Ossos:
Todo artista tem de ir aonde o povo está Se for assim, assim será... (Fernando Brant / Milton Nascimento)
A poesia segue em uma direção que eu acho a essencial. A mais bonita. Esta de partilha. Em projetos nas escolas que vão acontecer a partir de maio.
Um convite para ir a Adamantina e levar meus artesanais. Isto tudo está sendo traçado pela Kátia Torres, em um projeto que breve publico aqui.
Outro convite da Luciane Heleno pra apresentar poesias para os alunos dela. Muito especial isto. Já dei oficina dentro do Projeto Formando o Cidadão. Os meninos amam poesia, quem disser o contrário não entende nada de Poesia nem de meninos.
E breve vou ter mais detalhes do projeto da Maria Zèlia Lopes - professora de Assaí - que descobriu que existe uma Poeta que nasceu lá. E vou pra minha terra dentro de um Projeto de Leitura. Vai ser emocionante e especial. A cidade onde nasci.
2011 enriquece com esta palavra - partilha.
Esta viagem / livro ao lado do POETA - Pessoa.
Com o nascimento/publicação do livro - Tem um pássaro cantando dentro de mim.
Tem um pássaro cantando dentro de mim / Bárbara Lia:
GIZ RENDADO
O que a onda diz
ao cão sentado
babando moluscos
e saudades?
Como rasgar a onda
sem cicatrizar em azul?
Beber a ardência seminal
de amantes afogados
como quem engole
segredos guardados
entre debruns
de ondas
em seu giz rendado
DECRETO:
Proibido derrubar
qualquer árvore
(exceto para
construir
berços
e violinos)
DOS ENGANOS
Nem percebi e era o fim da trilha
Não me adiantei com fogo e coberta
e já se fazia noite
Não enchi o cantil na fonte
e era só deserto
O jasmim plantado floresceu em cacto
Acreditei na letra da canção
e era falsa a tradução
Segui a estrela e estrela não era
- era o farol da última ilha
a iluminar o inferno
- Tem um pássaro cantando dentro de mim - novo livros de poesias, quem o desejar entrar em contato com o email barbaralia@gmail.com
A chuva baila cinza na vidraça
que abre a cidade e
as cicatrizes de concreto.
No mundo não há quem leve,
como eu, este solar crepitar na alma.
LAYLA
calçadas molhadas
- uma lâmpada grávida
estremecida de sol
pequeno -
a lembrar
que ainda é verde o trigo.
florirá
amanhã
em sol granulado,
farpas de doçura,
sempre.
DESDÊMONA
Olhou-me como nuvem,
a sugar os vapores
da minha alma.
Por que ele é meu deus,
guardei-o em um lago
onde Iago
jamais chegará.
A Ultima Chuva
Bárbara Lia
ME - Mulheres Emergentes (2007)
Criei um blog com alguns poemas do livro - A última chuva.
marca com lápis sanguíneo
o tempo em minha face.
Ecos do acorde da apocalíptica caveira
invadem a aurora.
Cansei das noites solitárias e este cenário
de lua & estrelas.
Planto sementes de lua
esperando um céu do avesso:
Mínimas luas: crescentes, minguantes, cheias.
- bilhares, multicores.
E uma estrela - azulada imensa -
a bailar no cobalto-quase-negro
das minhas noites solitárias.
KAMIKAZES
Doze kamikazes
arrastam a delicada açucena.
Doze kamikazes.
As lágrimas descem
feito fontes.
Nenhuma música
de anjos sonoros,
nenhuma.
Nas nuvens que passeiam,
exausto de tédio, atira longe
o grão da maldade – o dragão da guerra.
PULMÃO DE DEUS
Sussurro suave ao redor, nuvem
de seda embalando astros.
Aqui, onde respira a vida,
perfume de malva, silêncio de córrego
entre pedras. Ar lúcido de luz.
LUZES DE MARFIM
Agora a poesia segue.
É só o que me segue, afinal.
Sentidos de sol.
Primaveras de cerejas.
A tarde tocando teus cabelos
brisa ao redor - teu lábio.
Aquele beijo paterno
na testa menina.
Vôos meus que seguiam borboletas.
As belas horas tatuadas no espírito
liberto do grito inútil.
Fixado no etéreo, os sonhos
flanando quimeras em asas de seda,
o infinito aplaudindo em luzes de marfim
Cada livro que o Betto lança ele me envia com uma carinhosa dedicatória - Belas surpresas!
Nossa correspondência esparsa é feita de recados e de cartões trocados e não sei qual o projeto ao qual ele se dedica e quando menos espero cai um livro diante de mim e me surpreendo com estes presentes raros chegando sem aviso. Quando ele leu minha - Ode ao Silêncio - confessou seu desejo de escrever um romance sobre o silêncio. Nossas trocas esparsas por conta de nossas vidas não impede que a cada livro meu e do Betto o correio aporte e traga aquela alegria antiga, método poético, correspondência. Minha vida de poeta/avó/mulher é muito louca, não tão atarefada e plena de viagens e encontros como a do Betto. Bem mais de uma década daquela manhã que enviei uma carta ao Betto, começo a me acostumar a chamá-lo apenas Betto. E ontem fiquei realmente feliz quando recebi este livro. Passei o dia tentando devorar 334 páginas em um relance. Não consegui. O livro exige tempo e o belo silêncio, para mergulhar pensamentos e estrelas. O tema é profundo e os que se sentaram em um lugar em Teresópolis para este debate carregam uma carga de conhecimento que merece o carinho de fonte da Vida - beber lentamente. Água da Fonte, a mais pura Fonte. Fascinada com Marcelo Gleiser, por não conhecer tanto a sua trajetória pessoal. Fascinada por amar as Estrelas com loucura. Fascinada com este debate entre Fé e Ciência. Os dois vão de Adão e Eva ( início da vida humana na Terra, segundo a Bíblia) ao longinquo instante em que a Via Láctea vai colidir com Andrômeda. Uma viagem pela Infância de um Frei Dominicano Escritor e um Físico Brasileiro Agnóstico. A presença da fé judaica na vida de Marcelo Gleiser. A vida de Frei Betto permeada de luta. A conversa com Waldemar Falcão - Músico, Astrólogo e Escritor. Publicação da Editora Agir.
"Hoje no insconsciente coletivo há um antagonismo entre ciência e religião. Isso porque se supõe que a religião é o reino do dogma, da certeza absoluta, e a ciência, o reino da dúvida, da incerteza absoluta ( como fator positivo ). Ora, que a ciência seja o reino da dúvida ninguém pode questionar; todo cientista é alguém que -- para usar uma expressão da moda -- quer conhecer a mente de Deus." FREI BETTO
"Quando você acredita num Criador que é onipotente e onipresente, para penetrar na Sua mente, você tem que transcender sua dimensão humana. Isso pode ser tanto através da fé, ou até mesmo da ciência, se o cientista acredita nessa metáfora que quanto mais a gente entende o mundo, mais a gente entende a mente de Deus. No fundo, ambas, a fé e a ciência, estão servindo como um veículo de transcendência da condição humana, de ir além, de explorar uma dimensão desconhecida." MARCELO GLEISER
Será sorteado 1 (um) exemplar de Constelação de Ossos - pelo site: O Bule - Projeto Coletivo de Literatura.
Para saber as condições do sorteio acessar o Site:
Um nó na garganta e o desejo de romper os véus, derramar meu passado inteiro naquele infinito. Dizer de cada dia que acordei sozinha entre o cheiro de urina e outros meninos de rua, dizer de cada homem que me tomou como se eu fosse um pedaço de nada e satisfez a sanha e saiu na noite atirando cem reais na mesa da sala. Quis dizer e ao mesmo tempo tive a certeza de que alguns segredos são segredos para sempre, eu acreditava nisto, contestando a própria Bíblia. Um eco de uma fala da infância. Os sermões vibrantes do Padre Chico, naquelas missas em que minha mão suava segurando a mão da mãe e que o cheiro de velas rescendia pela igreja pequena. A âmbula reluzente que o padre tirava do sacrário e o som da sineta estridente. A fumaça negra que espargia quando o coroinha sacudia o turíbulo. O silêncio na hora de ajoelhar-se e a sacralidade em cada objeto – no cálice, na patena, na hóstia, nos castiçais. Naquele tempo eu ouvia e guardava fragmentos da Palavra, pesavam mais que chumbo em minhas lembranças.
Não há nada oculto que não seja um dia desvendado.
Meu pensamento no outrora e as mãos de Igor recolhendo o agora. Sonhando um lençol de estrelas para sua amada misteriosa. Tivestes um segredo? Destes que podem fazer seu mundo desmoronar em um segundo? Tivestes que esconder o passado entre as dobras da tua camisa? Guardá-lo entre as rendas da tua roupa íntima? Tivestes um segredo? Tens? Diz-me como traduzir meu passado sem espantar o mel da alma de Igor?
Livraria do Centro Cultural b_arco e Editora Multifoco
convidam para o Lançamento de Naufrágios de Chiu Yi Chih
Naufrágios é o novo livro do poeta, filósofo e performer chinês de origem taiwanesa Chiu Yi Chih. O poeta recentemente naturalizado brasileiro nasceu na ilha de Taiwan, migrou para China, Hong Kong, Macau e veio morar na cidade de São Paulo no final da década de 80. O livro é um percurso visionário pelas grandes metrópoles (TAIPEI-XANGAI-SÃO PAULO-EMBU DAS ARTES) e dialoga com as estranhas conjunções de Oriente-Ocidente. No dia do lançamento haverá o evento A poesia e a sua cidade com leituras e performances de:
Cláudio Willer (São Paulo)
Irael Luziano (Embu das Artes)
Marcelo Ariel (Cubatão)
Flávio Viegas Amoreira (Santos)
Chiu Yi Chih (Taipei/São Paulo/Embu das Artes)
acompanhado pelo citarista Alberto Marsicano
Luís Serguilha (Portugal)
José Geraldo Neres (Santo André)
Poetas da Associação de Escritores do Embu das Artes
Chiu se constitui em mais um indício de que algo melhorou neste país. Desde meados da década de 1990, e de modo mais evidente de uns cinco anos para cá, apresenta-se uma nova geração de poetas brasileiros. Os poetas que ousam. Rompendo com poéticas estanques, classificações estabelecidas, receituários e fórmulas de como criar...Integram a geração ou aquela parte de uma geração que entendeu o que o autor de Paranóia dizia. E Piva certamente teria gostado de escrever o prefácio para este livro de estréia de Chiu, exemplo dessa renovação literária. - Fragmento do prefácio de Cláudio Willer, poeta, crítico literário e colaborador da Revista Cult e Isto é, doutor em Literatura Comparada (USP).
Data: 29 de março, terça-feira, das 19:00 até 22:00.
Local: Centro Cultural b_arco. Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 426 - Pinheiros -SP (Na travessa com a Rua Teodoro Sampaio na altura de 1633)
Quero ser Virginia Woolf. Viver em uma casa com serviçais para que eu possa apenas - ESCREVER. Ter um Leonard amoroso, cuidadoso, charmoso e gostoso que ama Literatura e publica livros de poetas que vão iluminar os séculos. Quero ter uma irmã que me visite para o chá. Quero ser Virginia Woolf e ouvir vozes. Quero adentrar um rio quando me cansar das vozes. Quero mergulhar fundo. Transferir para os dias meus a grandeza de antes, a pureza no sangue, apenas este desejo - traçar com régua e compasso uma obra. Toda a minha intenção quando adentrei o reino absurdo da Arte era escrever. Com a licença poética plagiar Drummond e raptar os versos de - AMAR. Para nós o sinônimo de AMAR é escrever.
Que pode um poeta senão,
entre criaturas, escrever?
escrever e reescrever,
escrever e revisar
escrever, apagar, escrever?
sempre, e até de olhos vidrados, escrever?
Passei o dia de ontem pensando no descompasso. No grito de tanta gente contra algumas ações que cutucaram nossa alma de poeta. A Lei Rouanet existe e qualquer um pode fazer uso dela. Certo? Sim, certo.
Não sou a melhor pessoa do mundo para preencher um projeto. Não tenho grana para pagar por eles. A dúvida é, tivesse grana eu pagaria? Não. Eu não pagaria. Pago caro por ter opinião. Então, eu as tenho evitado aqui na minha página. As políticas públicas seguem, contaminadas pela velha lei - para os amigos - tudo... Sem olhar a produção com cuidado, descartando os "complicados", os Poetas e suas manias esquisitas de não darem muita bola para o sucesso. Já ouvi isso. Que não tenho "sucesso" por não "merecer" o sucesso, pois sou esta pessoa arredia, calada, sem paciência para a bajulação e puxação de saco. Sou assim. A Poesia me completa. E não vou rebaixá-la ao limite do inócuo. Não me vendo por ela. Muito menos A VENDO.
Esqueçamos o MinC e vamos adiante. Nada mudou. Ainda somos Van Gogh sem orelha, ainda somos Kafka desnorteado como uma barata atacada pela luz fosca da medriocridade. Ainda somos Iessiênim escrevendo com sangue o bilhete da despedida. Ainda somos os que estão nessa por uma razão que ninguém vai entender mesmo. É claro que nossa vida ia ficar mais tranquila se a grana pública fosse para os pequenos na escala social, os pequenos de grana, com sede maior que os milionários. Se as Bibliotecas expandissem e se os professores abraçassem esta causa já que a família diluiu diante da TV e da novela das oito. Os professores, ao menos alguns que conheço, seguem com seus projetos lindos - Apresentar aos alunos a POESIA. Eu ouvi poesia e amei, eu me tornei poeta. Como uma criança vai saber o que é Poesia se não ouve nunca ouviu ou ouvirá? Verá fragmentos em apostilas, uma chispa pequena de uma diamante grandioso. Uma gota d'água de um rio cristalino.
Eu disse que quero ser Virginia Woolf, pois tenho uma alma antiga.
Quero ser Virginia e ter todo o tempo para escrever, antes de mergulhar no Lettes e deixar Leonard triste.
vou acabar com a vida de um vício por mês
fumo meu último cigarro pela primeira vez
treme minha mão por um copo pela última vez
nunca mais encontrei a canalha da cannabis
acho que ela foi morar na tumba do lapis
do pó eu vim, vi e venci
e não retornarei ao pó
curitiba
você é a única droga
que eu vou admitir na minha vida
(marcos prado , antonio thadeu wojciechowski e walmor góes)
Ultralyrics. Curitiba. Travessa dos Editores. 2005
Marcos Prado
MAIS 3 POEMAS DE MARCOS PRADO:
a mentira é a melhor é a melhor amiga das artes
nela, gelatinosa, as glosas seculares
minúcias de paisagens inexistentes
um coração onde cabe um milhão diferentes
dondoca de agora, amanhã de coturno
segue sempre os passos de um antigo perjuro
a arte imita a arte que imita tudo
e é profunda, é verdade, bem no fundo
mas somos piores que os pintores de florença
ridículos comparados aos poetas de provença
michelângelo cagaria em cima de nossas estátuas
bethoven se limparia com as nossas pautas
que é a nossa dança diante de um delírio índio?
que é um soco nosso perto de um clay vindo?
por que, se finda é a arte, continuar mentindo?
repetir o que se repetiu de novo se repetindo?
NÃO SE ANULE
Não salte dessa janela, meu poema,
resista.
Não mergulhe nesse tacho
de banha velha já tão podre.
Não se mate
Nessa corda cheia de nós
nessa merda sem vida.
Se mate, salte, mergulhe
se isso construir, destruir.
Seja teimoso e continue.
Não fale sozinho, fale.
Não se anule.
Não quero regras
para teu bote de tinta
e fala,
quero a tua voz
com tom de explosão nova,
como soco na cara.
(É preciso agora e aqui
não se atirar
nessa lama em coma.)
Olhe atento para o lado
depois olhe de cima
depois mergulhe
com fibra e olhos abertos
persistência de pulso pulsando
preparado para tiro na cara
faca que fura pulmão fácil
riso de não, sarcasmo portátil.
Meu poema
eu quero que você
resista!
TRISTES HOMENS AZUIS
não é blues, tristes, não é mesmo
a tristeza não faz um homem azul
o branco é branco, o negro é negro
ninguém é triste, não há blues
só existem, tristes, os tristes homens azuis
eles se vestem de branco e de negro
e os outros vêem azul
porque não são brancos nem negros
os tristes homens azuis
ninguém nasce azul
não se põe no mundo
alguém azul
mas quando a noite baixa
se levantam
os tristes homens azuis
Marcos Prado de Oliveira (Curitiba, 15 de Dezembro de 1961 – 31 de Dezembro de 1996) foi um poeta, músico, ator, jornalista e agitador cultural brasileiro.
Personalidade extremamente vigorosa e carismática, que à sua volta agregou um time excepcional de criadores. Dono de uma extensa cultura artística em geral que com seus parceiros compartilhava, dedicava-se com paixão ao trabalho de recuperação da cultura popular brasileira, especialmente a música dos anos 30 e 40.
Desde 1978 divulgou sua poesia dentro dos mais variados formatos, unindo a força expressiva de sua dicção com música, artes plásticas, teatro, cinema e, especialmente, uma presença pessoal que fazia de suas aparições públicas verdadeiros happenings...
Para ler a trajetória do poeta que eu - ADMIRO PRA CARAMBA - segue o link:
De 25 a 29 de março, a Fundação Casa do Estudante Universitário do Paraná (CEU) realizará a terceira edição do Ato Poético - Arena de Idéias: palestras, mesas-redondas, oficinas, leituras, performances, apresentações teatrais, festas, shows e muito mais.
A convite do João Andirá vou participar do Ato Poético III. MINHA FALA POÉTICA: dia 26/03 - sábado - 21h Local - Salão Nobre da Casa do Estudante Universitário
Mais informações na página do Ato Poético - link acima.
Minha poesia pousa em páginas e eu não consigo mais acompanhar seu vôo. Sempre uma surpresa como encontrei nesta manhã esta Arte Poética no blog ALUMIAÇÕES página da Lu Barboza de São Paulo. 2011 quero dedicar meu tempo à poesia que ficou esperando atrás da porta enquanto eu publicava e escrevia romances, vamos lá velha amiga senta aqui comigo, minha amiga-pássara que canta dentro de mim - Poesia - Amante fiel.
Os títulos das poesias abaixo são versos de Emily Dickinson - nove poesias do Prêmio Ufes Literatura:
"Sinal cifrado para enovelar o divino"
Trinta e dois ventos
da rosa dos ventos
Vinte e um gramas
do peso da alma
Oito países
a comandar a Terra
UM Deus louco
pelas ruas bombardeadas
"A real cicatriz você a tem?"
Signo de Salomão
na palma
Napalm na pele
Da alma
Tatuagem recebida
no berço
Caligrafia de Deus
- risco estrela -
Que oblitera
A pele canela
O mel de flor evaporada
Os traços arcaicos
Incinerados no espelho
Reflete em branca fogueira
Intacta
Minha alma
Ignorata
"O pedigree do mel não diz nada a uma abelha"
O rancor dos homens
Contaminou as flores
As abelhas morreram
De uma cólera doce
Último zumbido
Acordou o sol
Com a cadência afinada
De uma canção do Vangelis.
"A lentidão das palavras do arcanjo ao acordá-la"
O sagrado despe as ilusões
e abraça as árvores mortas
suas folhas de um azul esmaecido
qual o manto da Virgem de Cambrai.
Os ossos das árvores adoeceram
e elas morreram azuis
antes que tornassem brancos
os seus cabelos
"Ele dançou ao longo do dia pardo"
Guardo
Na ânfora púnica
O suor perfumado
Na saia indiana
O sêmen abençoado
Branca ilha no mar grego
Tua seiva na saia bordada
"O gelo da morte na vidraça"
Láudano para as dores reais
estas que bailam
nos olhos ejaculados
Para as dores invisíveis
chá de espectros
na chávena em chamas
Nunca me livrarei
dos vampiros anêmicos
Nunca os expulsarei
da mesa rústica
de sal e conchas
Ao meu redor -
a dança alucinada -
reverso do tango:
Ódio amornado em mel
Ódio guardado vaporoso
Ódio consagrado em si bemol
Purpurina enfática cai
Nas feridas frias
Como manto de rainha bastarda -
Azul - de ódio adulterado
"Eu me escondo em minha flor"
Baile das harpias
Em árvores carbonizadas
Rindo do fim
Fumaça sangra
Nosso jardim
A alma do éden
Adoentada
"Escanear os céus com um ar suspeito"
Não olhes o sol
A olho nu
Isto se chama
Violentar Deus
Irado, Ele abrirá
Escaras em tua retina
Abrirá o portal
Do abismo
Para cegar teu olhar
Que ousa afrontar
A Luz!
"Próximo ao âmbar e a um mínimo céu"
Teus olhos sépia
A sinfonia dos cães
O balé dos beija-flores
O sorriso das hortênsias
O som sem igual das palavras:
Bella Bartok
Railway
Ars Amatoria
Unicórnio
Leonard Cohen
BÁRBARA LIA
Prêmio Ufes Literatura
poesias do livro inédito "A flor dentro da árvore"