Thursday, August 08, 2013

Agosto





Agosto


“Como aqueles primitivos que carregam consigo o maxilar inferior dos seus mortos, eu te carrego comigo, tarde de maio”
Carlos Drummond de Andrade


A mim restou este Agosto
Loucos gritos roucos
Ruínas sem rima
Versos apócrifos em esperanto

A mim este calcanhar de vidro
Telhado de Aquiles
Chão incerto de tombadilho

Pedra. Pedra. Pedra.
No começo do caminho
No meio do caminho
No fim do caminho

Ar puro agosto
Rosário de escombros
A tudo transformei
Em maios deslumbrantes


Bárbara Lia
/2013
Imagem _ Monica Cook

Tuesday, August 06, 2013

Calendário poético 2013




No link acima, os artistas e poetas que participarão da Bienal Internacional de Curitiba _ de 31 de agosto a 1° de dezembro... Muito feliz por integrar este momento _ Pura Arte. 






Setembro, abrindo as portas para a Primavera:
Tempo de andar ao lado desta lenda. Acordar com a canção imortal da chama infinita que é Vinícius de Moraes. Então me pedem _ que eu leia nossos poemas. Que eu seja uma das mulheres a cantar sua Poesia. E fico com estas mãos sem saber qual pétala, qual poesia? O que dizer deste monstro sagrado que me visitou ainda menina, com uma flor... E embalou as serestas e os vinte anos, e a maturidade e toda a vida. Estava lá a tríade _ Chico, Tom, Vinícius. Está lá ainda, vai estar para sempre. E que felicidade ser mulher neste tempo e caminhar nas notas destes gênios. Por obra da minha irmã caçula eu encontrei Chico e quando ele se despedia e saia para o seu show eu disse _ Obrigada, pela maravilhosa trilha sonora que você trouxe para a minha vida. Ele estava saindo apressado e parou um segundo e se voltou e me olhou, com olhar inquieto. Eu que tenho o dom de inquietar os corações masculinos. Ele ensaiou um sorriso e continuou, apressado. E nada mais pode ser dito, nada deve ser. Somos abençoadas por ter estes homens que cantaram o amor e a mulher com a sensibilidade necessária. Que entenderam nossos corações astutos, que conseguiram segurar em suas mãos a chama imprecisa que é ser mulher latina, esta luz morena, esta coragem nascida das entranhas da terra mais bonita. E fico assim, sem saber como começar a separar alguns versos, alguma poesia, o que Vinícius gostaria de dizer agora. O que ele diria para as musas das araucárias, que frase ele atiraria para estas meninas que caminham pela Rua XV, pelos bosques, estas novas guerreira, estas que não tem medo do mundo, que aprenderam a tirar leite das pedras, que hastearam sua bandeira de liberdade bonita. Esta liberdade que é ao mesmo tempo uma partilha e que faria Vinícius curvar-se ao encanto, ele que era assim, este gentleman, este amante, este querido parceiro que atravessou a vida como se ela fosse um canto. Escolherei poemas de amor e poemas que falem sobre a guerra, pois nada continua mais estúpida e inválida que a bomba... Nada mais eterno que o amor. 
Qualquer hora coloco aqui a notícia completa sobre esta leitura poética que vai me unir em beleza com este grande poeta...







Dois poemas meus integram este: "Ousado projeto, grandioso, como compete a quem empunha a pena do "Luís de Ouro" ( Carlos Drummond de Andrade), "Camões, grande Camões" (Manoel du Bocage) e quer dizer ao mundo as novas armas e os novos varões assinalados que da ocidental praia lusitana; da americana praia brasileira; das africanas praias guineenses; cabo-verdianas, são-tomé-e-principenses, angolanas e moçambicanas; das indianas praias goenses; das chinesas praias macauenses; e das oceânicas praias timorenses; por mares, ares, sites navegados à exaustão, passaram ainda "além da mágoa" e "em esforços e guerras" — com a palavra — "conquistaram" novas formas de expressão." fragmento do prefácio de _Paulo Seben _ Lançamento em Curitiba no início de novembro. 

Sunday, August 04, 2013

las palabras no hacen el amor hacen la ausencia...





Fragmento del poema "En esta noche, en este mundo" de Alejandra Pizarnik,
interpretado en una escena de "El lado oscuro del corazón 2" de Eliseo Subiela,
Argentina, 2001.



En esta noche, en este mundo


A Martha Isabel Moia


I

en esta noche en este mundo
las palabras del sueño de la infancia de la muerte
nunca es eso lo que uno quiere decir
la lengua natal castra
la lengua es un órgano de conocimiento
del fracaso de todo poema
castrado por su propia lengua
que es el órgano de la re-creación
del re-conocimiento
pero no el de la resurrección
de algo a modo de negación
de mi horizonte de maldoror con su perro
y nada es promesa
entre lo decible
que equivale a mentir
(todo lo que se puede decir es mentira)
el resto es silencio
sólo que el silencio no existe


II

no
las palabras
no hacen el amor
hacen la ausencia
si digo agua ¿beberé?
si digo pan ¿comeré?


III

en esta noche en este mundo
extraordinario silencio el de esta noche
lo que pasa con el alma es que no se ve
lo que pasa con la mente es que no se ve
lo que pasa con el espíritu es que no se ve
¿de dónde viene esta conspiración de invisibilidades?
ninguna palabra es visible

sombras
recintos viscosos donde se oculta
la piedra de la locura
corredores negros
los he recorrido todos
¡oh quédate un poco más entre nosotros!

mi persona está herida
mi primera persona del singular

escribo como quien con un cuchillo alzado en la oscuridad
escribo como estoy diciendo
la sinceridad absoluta continuaría siendo lo imposible
¡oh quédate un poco más entre nosotros!


IV

los deterioros de las palabras
deshabitando el palacio del lenguaje
el conocimiento entre las piernas
¿qué hiciste del don del sexo?
oh mis muertos
me los comí me atraganté
no puedo más de no poder más
palabras embozadas
todo se desliza
hacia la negra licuefacción


V

y el perro de maldoror
en esta noche en este mundo
donde todo es posible
salvo
el poema


VI

hablo en fácil hablo en difícil
sabiendo que no se trata de eso
siempre no se trata de eso
oh ayúdame a escribir el poema más prescindible
               el que no sirva ni para
               ser inservible
ayúdame a escribir palabras
en esta noche en este mundo

                                                              8 de octubre de 1971



ALEJANDRA PIZARNIK  //  De: Textos de sombra y últimos poemas





Monday, July 29, 2013

Paraísos de Pedra

Família!

Priscilla Fernandes 


João Debs _ O fotógrafo da Ninfa da Praça Osório _ belíssima capa do livro

     abaixo: com o poeta Rafael Valter



autógrafos
Márcio Claudino, presença amiga _ sempre.




"Paraísos" também traz os mais amados amigos que há tempo não via
_Ana Marcelle_ esta flor de Belém.


Nildete Costa _ Peabiruenses em tarde de "Paraísos"


                                         Fran Ferreira e Álvaro Posselt _ presença da Poesia



Muito obrigada a todos que foram ao Paço da Liberdade. Foi uma tarde bela de reencontros e alegria. Obrigada aos amigos que escreveram, e estiveram ao lado, ainda que não fisicamente. Grata ao Tonho Franca Franca e Wilson Gorj por abrir as portas da editora a este projeto delicado, que é o resgate de um tempo e de uma cidade. Obrigada aos responsáveis pelo Espaço SESC Paço da Liberdade por acolher este momento em um lugar de levezas qual as tardes da infância. Grata aos primos e primas que vieram. Aos autores Penalux Michelle Puppo e Thomas Brenner. E aos amigos que não estão aqui nestas fotografias.
O livro, agora, apenas no site da Editora Penalux.
O link ao lado.


Monday, July 22, 2013

Um mundo mágico ao redor da casa _ Marleth Silva para o Caderno G da Gazeta do Povo

Foto _ Daniel Castellano (Caderno G _ Gazeta do Povo)


Um mundo mágico ao redor da casa

Depois dos romances e da poesia, Bárbara Lia se arrisca nos contos para falar da infância no interior do Paraná

Matéria de Marleth Silva para a coluna _ Livros _ Cadeno G _ Gazeta do Povo, uma visão da jornalista do meu livro Paraísos de Pedra, que evoca memórias da infância na cidade de Peabiru, Norte do Paraná. Alguns contos do livro tem como cenário Curitiba. Por isto: Paraísos. As duas cidades como palco desta primeira publicação de narrativas curtas. 
Link para a matéria: clicar aqui



foto _ Kátia Torres Negrisoli

Tuesday, July 16, 2013

Convite para o Lançamento de _ Paraísos de Pedra _ Bárbara Lia (Editora Penalux) _ Contos





Paraísos de Pedra
Bárbara Lia
Editora Penalux _ 2013
Selo Castiçal
Contos Brasileiros
110 Páginas
Capa e Diagramação _ Ricardo A. O. Paixão
Imagem da Capa _ A Ninfa da Praça Osório, do repórter fotográfico João Debs
Revisão _ Priscilla Fernandes
ISBN _ 978-85-66266-34-3

Para adquirir o livro, quem não puder comparecer ao lançamento em Curitiba:
http://www.editorapenalux.com.br/




Paraísos de Pedra traz narrativas da Infância da autora na cidade de Peabiru e contos que utilizam como cenário a cidade de Curitiba: Memória e Invenção.
“Paradiso” trafega por locais curitibanos: A Feira de Artesanato do Largo da Ordem, o chafariz – A fonte da memória – do escultor curitibano Ricardo Tod que evoca os tropeiros que vinham a Curitiba para comercializar seus produtos transportados por carroças e mulas. Naquela época os animais utilizavam o pequeno bebedouro - ainda existente - no Largo da Ordem. O bar Sal Grosso - reduto de poetas e artistas. O Café Express e a Confeitaria das Famílias. O Mercado das Flores, a Rua XV...
“Cinema Paradiso” utiliza títulos de filmes para narrar uma infância mágica vivida em Peabiru. Alguns garotos da cidade a denominaram – Parisbiru. Uma cidade que tem o poder de cravar dentro da alma dos que ali viveram uma indescritível nostalgia que faz com que o pensamento sempre retorne para suas ruas marrons, para sua praça pequena e para os detalhes que fazem desta cidade uma espécie de paraíso perdido.

Os contos da maturidade tem a urgência de dizer: A vida escoa. Os da infância perdem-se em relatos da memória, longos como os dias em Peabiru. O sol ao lado, sempre.

Friday, July 12, 2013

Cenário Aroma de Anis



Kátia Torres Negrisoli vive em Adamantina. Nossas trocas poéticas sempre pelo mundo virtual ou via Correios deu um salto para este encontro em Curitiba. No cenário de um dos contos do meu novo livro _ Paraísos de Pedra _ O Café Express. Noite gélida e encontro para derreter a distância. Minha amiga de Adamantina é mesmo uma querida. Nosso encontro foi no cenário de um dos contos. Um conto antigo que reescrevi _ Aroma de Anis. Ali diante da Praça Santos Andrade. Em um café aconchegante. Bela noite poética. Valeu, Kátia.
***


fragmento de Aroma de Anis, Paraísos de Pedra _ Editora Penalux:


(...)

Em algum lugar Lá dança espalhando estrelas azuis.
Lá aonde eu nunca mais irei acalmá-la recostando no meu peito estraçalhado de amor sua cabecinha atordoada, enquanto ela repetia até adormecer:

Dói viver, dói viver, dói viver, dói viver...

Lá dizia que o gosto do céu é menta com chocolate.
Inverno de quase neve na cidade gélida, nossas bicicletas encostadas em algum lugar à nossa espera enquanto o sorvete derretia em nossas bocas ela repetia...

Céu! Este é o gosto céu: Menta com chocolate.

Em todos os invernos provarei o gosto do céu olhando o voo das pombas sentindo o aroma de anis de seus cabelos espalhados.
E um sopro suave à saída do Café Express me trará esta certeza: dela ao meu lado espalhando anis no ar com a ternura dos naufragados.

Bárbara Lia


Prédio da UFPR e ao lado fica a Praça Santos Andrade. Fotografia da Kátia. A que estamos juntas, pedimos para um moço bonito que estava no café tirar. Bela noite. Poesia de sabores e risos. ENCONTRO.


Thursday, July 11, 2013

Saturday, July 06, 2013

Shame

  _ Cena de Shame - Direção Steve McQueen  - Michael Fassbender e Carey Mulligan _



Respira fundo. Respira e entra no filme... Li algumas críticas. A sinopse nem ao menos toca no assunto _ incesto. Ninguém afirma, alguns dizem que existe uma insinuação de incesto e que o filme é sobre um cara viciado em sexo que não consegue ter uma namorada (no caso, uma colega de trabalho) e só faz sexo com prostitutas. Para mim soou mais nítido. Da primeira à última cena as reações dele à tudo que envolve sua irmã traz aquela sutil presença do amor homem / mulher. O silêncio, o desejo de não ouvir o que ela diz. E cena a cena ele vai revelando o que está em um lugar oculto, muito oculto. A interpretação dos dois atores é magnífica. Em alguns momentos do filme dá a impressão que algo já aconteceu entre eles. E que este momento criou aquela densidade e aquela tensão quando os irmãos se encontram. São conjecturas. O filme é sensacional por tocar em temas tão delicados e conseguir atravessar sem resvalar em nada pequeno. É sempre aquela tensão interior. Ele não diz a ninguém. Ele nem revela ao seu chefe que ele é o cara que baixa aqueles vídeos, ele não assume quando o chefe diz _ algum estagiário mexeu no teu computador... Os dois estão perdidos, isto é nítido. E não conseguem amparar-se por estarem a um milímetro do território proibido. E ver Shame no silêncio de uma tarde, com o sol agressivo depois de tantos dias cinzentos, dói mais. 
Prêmios são mesmo uma lástima. Em qualquer área. Não ter uma indicação ao Oscar, ao menos uma, mostra como é politicamente correta esta droga de Academia de Cinema. E daí se o assunto é incesto, e daí se o cara é viciado em sexo, e daí se ele anda nu metade do filme, se aquela menina linda consegue aparecer qual sua personagem, frágil, de cabelos descoloridos, pálida, a ponto de demorar um tempo para que eu percebesse que o filme era com ela.
Sim, eu sou desligada. Li sobre o filme e pensei em ir em busca dele. Mas, esqueci. Do nada, na casa da minha filha decido procurar filmes na tal Netflix e encontro o filme que invadiu a tarde de sexta-feira com um balde de água de beleza. Que bom saber que ainda fazem filmes como este. Que bom que existem diretores que não entram na linha politicamente correta, e ousam. Eles ficam sem os prêmios, e a Arte fica com a Beleza. E o que importa mais?
Premiam à exaustão filmes que falam de terrorismo. Isto sim é obsceno. A vida em si, o que somos nós como pessoas, as nuances da alma que a gente não compreende. Estas armadilhas na qual alguns caem e ficam sem saída. Tudo isto é humano. E não devia ofender mais que as guerras.
O filme não quer traçar nenhum caminho, provar nada, dar resposta. Mesmo o enredo. Não existem lições. E esta parte da vida é a mais rica. Para mim que não suporto mais tantas lições e tantas coisas tão redondinhas quadradinhas encaixadinhas buriladinhas. Para mim foi uma espécie de redenção...
Ponto para esta atriz que segue com uma surpreendente coragem. Para ela cai bem estes papéis de mulheres que são amadas mas não ficam com seus amores. Foi assim em _ Never Let me Go _ quando ela contracenou com Andrew Garfield. Foi também em _ Drive _ com Ryan Gosling, outro filme impactante, sem retoques, realidade crua lavada em humanidade. Foi em An Educacion que apresentou Carey ao mundo. Acho que ela tem um olhar de quem perdeu o amor. Tem lá dentro aquela tristeza embotada, uma mágoa que brilha, como se ela cobrasse do mundo o que lhe é devido. Ainda que não consiga. Ela cobra, encerra a dor na alma e depois dá aquele sorriso quase infantil. É uma estrela sem medo. Que escolhe estes papéis longe de estereótipos.
Este filme é de 2011. Eu sou aquela que vai narrando o que vê. E não ser crítica de cinema dá esta liberdade, não preciso estar em dia com a programação, apenas com tudo aquilo que lê e vê o meu coração.




Wednesday, July 03, 2013

La belle personne

Louis Garrel _ Cena de "La Belle Personne" de Christophe Honoré





"O poeta escreve sobre oceanos que não conhece". Disse Neruda. Chico escreveu Budapeste antes de conhecer Budapeste. Ouvi - um dia desses - Adriana Lisboa dizer que foi a Hanói pelo desejo de conhecer, e que já havia escrito o livro. Escrevo uma história e uma personagem puxa o fio até Paris. E senti uma vontade enorme de recriar poeticamente um homem francês assim, tipo Louis Garrel. Não aquele de "Os sonhadores", aquele de "La belle personne". Aquele homem apaixonado, angustiado, que se senta na escada diante do prédio da amada e fica à espera. Nem sabe que ela já deixou a cidade e atravessa o mar em uma barca, a espiar este distanciar de um lugar. Melhor que morrer é afastar-se da morte. E o amor é uma morte, lenta. É esta agonia que não cabe dentro da pequenez do ser. Quem tem juízo não vende a vida para ter alguém ao lado. Preferem eternizar algumas horas, estas que se transformam  território de moradia, casa aberta para sua visita. Viver duas ou três horas com quem se ama (em plenitude) e voltar ao banal é como manter o graal e saber que ele existe. E Louis Garrel é essa materialização do intocado. Paris, idem. A menina que criou vida em um texto meu. Reunir tudo isto vai demorar um pouco, vai me tirar do centro das coisas, deste mundo virtual onde não sei trafegar, eu confesso. Quem dera fazer as malas, desembarcar em Paris e sentar-me em um daqueles Cafés e ter esta mordomia que muitos tem, de deslocar-se fisicamente para o locais sobre os quais querem escrever. Eu não sei se isso traria um adendo. Chico e Adriana e suas falas chegam como uma brisa acolhedora para comprovar que posso criar um homem francês. Com carisma e paixão, qual o professor do filme "La belle personne", apaixonado por uma bela mulher que ele vai seguir pelas ruas, pelos corredores do colégio, pelos cafés, nadando na neblina de uma cidade fria, abduzido por ela, por ela que é daquele time de mulheres que saem de cena antes que esfume o encanto, estas que nunca ficam para recolher os estilhaço da beleza. As que deixam a beleza intacta. La belle personne.

Wednesday, June 26, 2013

Paraísos de Pedra _ lançamento dia 27 de Julho




A partir do dia 02 de Julho à venda no site da Editora Penalux.
Para quem está em Curitiba, tarde de autógrafos dia 27 de Julho.

Tuesday, June 25, 2013

fragmento de: A noite dos vivos _ Bárbara Lia



foto: Ricardo Pozzo (poeta, organizador do evento Vox Urbe _ Wonka Bar)

*

O homem sem sapatos trajando bermuda bege sobe na lateral do chafariz e conversa com o cavalo. Espero o amigo, anoitece. A lua crescente; a vida minguante. O homem diz ao cavalo as coisas do dia, seu dorso negro acaricia e se afasta para dizer em tom de brincadeira a frase tão verdadeira:
_ Mas, você é feio, hein?
A água não jorra, neste fim de tarde, do símbolo fálico do chafariz do Largo da Ordem.

Um cavalo que baba (goza?)... O que secou? O sêmen ou a lágrima? Muito estranho esse cara que fala com o mármore com intimidade de amigo. A água parada, a vida parada, o homem descalço a conversar com as pedras e eu a esperar o amigo... 

Paraísos de Pedra _ Bárbara Lia
Ed. Penalux
lançamento julho/2013

Saturday, June 22, 2013

Vinagre _ Uma Antologia de Poetas Neobarracos _ 2ª Edição _ Ampliada


http://pt.calameo.com/read/002515624634ef893c090


Organizada por Fabiano Calixto

Adalberto do Carmo,Ademir Demarchi, Adriano Scandolara, Airton Souza
Alberto Lins Caldas, Alberto Pucheu, Alex Simões
Alexandre Guarnieri,Alexandre Lettner dos Santos, Alexandre Revoredo
Amandy González, Ana Lucia Silva, Anderson Lucarezi, André Fernandes
André Luiz Pinto, Andréa Catrópa, Baga Defente, Bárbara Lia
Beatriz Azevedo, Beto Cardoso, Bettto Kapettta, Bruno Gaudêncio
Bruno Latorre, Bruno Prado Lopes, Caetano Minuzzo, Caio Fernando
Camila do Valle, Camillo José, Cândido Rolim, Carina Castro
Carla Kinzo, Carlito Azevedo, Carlos Antonholi, Carlos Eduardo Marcos Bonfá
Carolina Tomasi, Cecília Borges, Chris Oliveira, Cide Piquet, Cinthia Kriemler
Cláudio Portella, Danielle Takase, Danilo Tobias, Davi Araújo, Denis Moreira da Costa, Diego de Sousa, Diego Vinhas, Dimitri Rebello, Diogo Mizael
Dirceu Villa, Domenico A. Coiro, Donizete Galvão, DouglaSouza, DuSanto
Edson Bueno de Camargo, Eduarda Rocha, Eduardo Sterzi, Elaine Pauvolid
Emmanuel Santiago, Érica Zíngano, Fabiano Calixto, Fabiano Fernandes Garcez
Fabiano Maffia Baião, Fábio Aristimunho Vargas, Fábio Gullo, Fabrício Corsaletti
Felippe Regazio, Flávio Corrêa de Mello,Fred Girauta, Gabriel Pedrosa
Geovani Doratiotto, Gigio Ferreira, Giuliano Quase, Graça Carpes
Guilherme Gontijo Flores, Guilherme Salla, Hélio Neri, Heyk Pimenta,Igor Alves
Israel Antonini, Ivan Antunes, Jeanne Callegari, Jessica Balbino,Jéssica Chelsea Cassiano Alves, João Campos Nunes, Jorge de Barros, José Antônio Cavalcanti
Jota Mombaça, Júlia de Carvalho Hansen, Julia Mendes, Juliana S. Müller
Jussara Salazar, Katerina Volcov, L. Rafael Nolli, Lara Amaral, Leandro Rafael Perez
Leandro Rodrigues, Leo Gonçalves, Leonardo Chioda, Lisa Alves, Lucas Bronzatto
Luciana Miranda Penna, Maiara Gouveia, Makely Ka, Mamede Jarouche, Marcelo Ariel,Marcelo Noah, Marcelo Sandmann, Márcio-André, Marco Cremasco
Marcos Visnadi, Marcus Oliveira, Mariela Mei, Maykson Sousa, Micheliny Verunschk, Nairana Melo, Nícollas Ranieri, Nina Rizzi, Nydia Bonetti,Orlando Lopes, Paula Corrêa, Paulo de Toledo, Pedro Marques, Pedro Tostes, Rafael Courtoisie, Raphael Gancz, Renan Inquérito, Renan Nuernberger, Renan Virgínio
Ricardo Domeneck, Ricardo Pedrosa Alves, Ricardo Rizzo,Rodrigo Garcia Lopes
Rodrigo Lobo Damasceno, Rodrigo Moreira Pinto, Roque Dalton,Rosana Banharoli
Rosane Carneiro, Rubens Guilherme Pesenti, Rubens Zárate, Sandra Santos
Sérgio Bernardo Correa, Silvana Tavano, Simone Brantes, Takeshi Ishihara
Tarsila Mercer De Souza,Thadeu C. Santos, Thiago Cervan, Thiago Galdino
Thiago Mattos,Tiago Cunha Fernandes, Tiago Pinheiro, Tito de Andréa.Vânia Borel
Waldo Motta, Walter Figueiredo, Wladimir Cazé, Zeca Lembaum

Tuesday, June 18, 2013

o ódio pequeno...




O Ódio Pequeno


Bárbara Lia



A revolta do vinagre vai mudando tudo...
Desfaz o cenário, muda o panorama, interdita ruas, traz novos ventos, ignora as siglas.
A revolta do vinagre move as pessoas e remove a ferrugem de décadas, quiçá séculos.
A revolta acena como uma mãe na janela que diz entra...
A casa é tua, que bom que você voltou, estava sentindo a falta, um filho não deve viver no ar, no escuro, no chão, atrás dos muros...
Um filho precisa tomar posse da mesa, beber o leite tirado no dia, comer o pão assado pela manhã...
A revolta do vinagre mudou tanto em tão poucos dias...
Só não tirou o ranço do ódio fascista de alguns corações.
Como se todos despissem o antigo e atravessassem um rio para começar puros.
E alguns levassem aquela mancha antiga, o ódio pequeno aninhado na palma da mão.




Monday, June 17, 2013

Vinagre: uma antologia de poetas neobarracos



Link para a Antologia:

 Vinagre - uma antologia de poetas neobarracos

O Grito do Sangue Tupiniquim - Bárbara Lia



 O Grito do Sangue Tupiniquim - Bárbara Lia


Águas de maio de 68 nosso sangue
Barricadas e Bastilha nosso sangue
DNA de Guevara e Cohn-Bendict _
Nosso sangue _ DNA de Graciliano,
Pagu, Oswald. Sangue Tupiniquim
Sangue dos meninos mortos pelo AI-5
Marcha ao ritmo de “Grândola Vila Morena”
Desliza ao som de “A las barricadas”
“Há de ser outro dia”
“Caminhando contra o vento, 
sem lenço, sem documento”

E este vinagre nas mãos é tão inofensivo...
O sangue dentro _ este é o estopim e o grito _
Este ninguém tira de nós, ninguém tira de mim...


Vinagre: uma antologia de poetas neobarracos

Edições V de Vândalo, 2013








meu namoro com fulana foi uma trepada que durou 6 meses
minha trepada com beltrana foi um namoro que durou uma tarde

cacaso



Friday, June 14, 2013

18h no no Centro Cultural Brasil Moçambique - Maputo - 27/06


"Ousado projeto, grandioso, como compete a quem empunha a pena do "Luís de Ouro" ( Carlos Drummond de Andrade), "Camões, grande Camões" (Manoel du Bocage) e quer dizer ao mundo as novas armas e os novos varões assinalados que da ocidental praia lusitana; da americana praia brasileira; das africanas praias guineenses; cabo-verdianas, são-tomé-e-principenses, angolanas e moçambicanas; das indianas praias goenses; das chinesas praias macauenses; e das oceânicas praias timorenses; por mares, ares, sites navegados à exaustão, passaram ainda "além da mágoa" e "em esforços e guerras" — com a palavra — "conquistaram" novas formas de expressão." 

fragmento do prefácio de _Paulo Seben


A antologia _ A Arqueologia da Palavra e a Anatomia da Língua _ lançamento no Centro Cultural Brasil Moçambique. Organizada por Amosse Mucavele, lançamento em Maputo, no segundo semestre em várias cidades brasileiras. Estou lá entre os poetas lusófonos com dois poemas. 
Viva a Língua Portuguesa! 

Friday, June 07, 2013

Paraísos de Pedra - primeira aparição

Para ler um dos contos do meu novo livro, o link é este, disponibilizado pela Editora Penalux:

http://pt.calameo.com/read/0018123011f0e38e24a17





Um dia desses eu contava para a Fran Ferreira que, uma vez, fui escrever minha biografia e escrevi um livro erótico. Ao embalo de uma paixão por alguém erótico à medula, o livro começou _ História da minha vida _ e terminou _ Henry & June _ ou quase, um relato similar aos relatos de Anaïs Nin e Henry Miller. Quer dizer, o erotismo é sempre presente em tudo que escrevo. A Fran disse: _ Publica! Quem sabe...
Quem ler este conto disponibilizado pela Editora Penalux _ que é primeiro do livro _ vai pensar que está diante de um livro erótico, que nada! Sei que isto ajuda a vender, mas, não pratico a falsa propaganda. Algum dia vou fazer como Hilda Hilst e publicar uma novela pornográfica, o mundo vai conhecer minha poesia, enfim. Não apenas os amantes da Poesia, mas, o mundo. Por ora, fico com a ternura de ser quem é acolhida com seus versos, com ternura, sim. Sem nenhuma petulância, sem ser citada apenas por amigos (aliás, meus amigos estão distantes deste meu enredo poético e isto me deixa muito em paz) não cobro nada, não os quero dizendo que eu merecia isto ou aquilo, pois acho isto patético. Há quem precise deste tipo de bajulação, eu prefiro a luz verdadeira desconhecida. Despertar em quem nem me conhece uma fala, isto se chama _ reconhecimento verdadeiro. Ser adulada por política, ser indicada por contatos, ser alguém que usa de um _ podre e pobre poder _ para alçar escadas... Isto é para os fracos.
O meu livro de contos surgiu do meu desejo de narrar memórias da infância. Ainda que estas memórias estejam salpicadas de invenção e que eu as tenha transformado em uma quase ficção. O meu desejo foi possível neste diálogo com os editores da Penalux. Por esta razão, Paraísos de Pedra traz, na segunda parte do livro, o mergulho na cidade mais amada _ Peabiru. Com a poeira cristalizada de beleza e as estrelas eletrizadas no céu de antes, os passos de uma menina poeta, que nem se sabia poeta ainda. E, a saudade latente dos domingos no cinema, e dos quintais. Ah! Os quintais...
Este conto que a Editora disponibilizou abre o meu novo livro. O nono livro.


Friday, May 31, 2013

Onde andará Esmeralda Green? - Bárbara Lia







#
Desde menina eu levo este mundo debulhado em pele sangrada e urina em minhas costas: 


Cheiro de pólvora e crianças putrefatas. 

Este mundo viscoso, de óleo raro e mesquitas flamejantes, mantos brancos, negros, azuis, olhos de lince, 

olhos de cobra, olhos de harpias, olhos de demônio...

#



prosa poética da série: Onde andará Esmeralda Green? 


Bárbara Lia


Imagem: Girl in green - William James Glackens





Esmeralda Green?
É mais ou menos assim...
Fragmentos fora da ordem, anotações, poemas, livros inacabados, interrogações. Parte de uma pequena história plasmada para dar sentido ao caos. A Poesia no reino da ficção: Uma velha senhora aluga o sótão para moças solteiras para complementar sua renda parca. Por um tempo, lá viveu uma garota que pintou de verde o sótão, comprou cortinas, lençóis, enfeites verdes. A garota vestia-se de verde, pintava de verde suas unhas e todo o esplendor verde ficou lá quando ela se foi. Na cama ela esqueceu seu caderno de capa verde. Este é o legado de Esmeralda Green, o que restou da garota, entre o verde e o espanto.

La nave va...

Ilya! (Vmesto Pis'ma) - Bárbara Lia - para Connor Storrie

“Ilya! Vmesto Pis’ma” é o título perfeito para o que escrevi, fulminada de encanto e admiração pela Arte de Connor Storrie. Em lugar de uma...