Wednesday, February 09, 2011

GIL BRANDÃO

Esses dias,
eu já não me espanto
com a forma como o mundo me envolve
cada vez que saio para a montanha
e com a melodia infantil, meio mágica,
que o vento me assobia ao andar pela estrada
ao amanhecer.

As coisas hoje são assim.
E quase toda noite, eu conto as estrelas
e sempre encontro o mesmo número delas;
e quando as estrelas não aparecem para serem contadas,
eu conto os buracos onde elas deveriam estar.

E vou concluindo que não vale a pena
passar o tempo lembrando daquilo que dói.
Pensamentos assim são como aqueles velhos boleros
onde acontece uma porção de coisas
mas o refrão vai se repetindo sempre,
mesmo onde ele não combina.
GIL  BRANDÃO
http://meuparedro.wordpress.com/

As Bárbaras dos Poetas

Endechas a Bárbara escrava


Aquela cativa
Que me tem cativo,
Porque nela vivo
Já não quer que viva.
Eu nunca vi rosa
Em suaves molhos,
Que pera meus olhos
Fosse mais fermosa.

Nem no campo flores,
Nem no céu estrelas
Me parecem belas
Como os meus amores.
Rosto singular,
Olhos sossegados,
Pretos e cansados,
Mas não de matar.

U~a graça viva,
Que neles lhe mora,
Pera ser senhora
De quem é cativa.
Pretos os cabelos,
Onde o povo vão
Perde opinião
Que os louros são belos.

Pretidão de Amor,
Tão doce a figura,
Que a neve lhe jura
Que trocara a cor.
Leda mansidão,
Que o siso acompanha;
Bem parece estranha,
Mas bárbara não.

Presença serena
Que a tormenta amansa;
Nela, enfim, descansa
Toda a minha pena.
Esta é a cativa
Que me tem cativo;
E. pois nela vivo,
É força que viva.

Luís de Camões

(vou publicando, conforme encontro, poesias de grandes poetas para alguma Bárbara - até Camões cantou Bárbaras)

Tuesday, February 08, 2011

Nature

Henri Manguin




“A lentidão das palavras do arcanjo ao acordá-la”


O sagrado despe as ilusões
e abraça as árvores mortas
Suas folhas azul esmaecido
qual manto da Virgem de Cambrai

Os ossos das árvores adoeceram
e elas morreram – azuis -
Antes que tornassem brancos
os seus cabelos




“Sinal cifrado para enovelar o divino”

Trinta e dois ventos
      da rosa dos ventos
Vinte e um gramas
     do peso da alma
Oito países
     a comandar a Terra
UM Deus louco
     pelas ruas bombardeadas


(2 Poesias acima -  Prêmio Ufes - Literatura/2009)




CIGARRAS NO APOCALIPSE


Quando o poema emerge
Estridente
Emudece o verão
Escurece a primavera
Incendeia o outono

Poetas são cigarras
No apocalipse
Sempiterno som
Canto que incomoda

Sacode as esfinges
As filosofias vãs
Canto ecoa
Em muralhas pagãs
Invade corredores
Cola ao som a hortelã
Das festas de antes
Arranca lágrima cinza
No silêncio laranja
De Guantánamo

O som ardido trinca o sol
Escorre gema zelosa
Na chaga das crianças
Da África inteira
Canta a primavera afogada
Da vida ceifada.

A cigarra segue
No apocalipse sem volta
Anoitece areias de Fallujah
Todas as ruas da Faixa de Gaza

Cigarras no apocalipse
São poetas em desalinho
Gestados no ventre escuro
Ninfas subterrâneas
Emergem em canto e vôo
Ao som da trombeta
De um anjo sem olhos.







CALHANDRA NA TELHA


(Para José María Arguedas)




Musicar uma poesia
Em louvor ao Andes
Até o pássaro condor
Pousar no meu indicador
 
A dor do som da flauta
A descortinar abismos
O vento a sacudir
A manta da menina quéchua
De olhos cor de selva
Banhada de chuva
 
No beiral de uma cabana ocre
De janelas negras
E jardim de cactus
Pousará a calhandra


A mesma que guiava o menino
Pelas ruas de Cuzco
Pelas pontes incaicas
Pela sombra do pai





Decreto:

Proibido derrubar
qualquer árvore


(exceto para
construir
berços
e violinos)



 
 
Sempreviva
aos
Sempremortos:

Rasguem as encíclicas
as leis e as ordens

Mudem o cardápio da alma

A cada manhã
Meio copo de poesia
Panquecas de sol molhadas
Na clave de Fá
Salpicadas do orvalho
De Shangrilá


BÁRBARA LIA (meu canto à Natureza)
 
 


Sunday, February 06, 2011

Poesias da série premiada no Prêmio UFES

*


“Dentro da minha flor me escondo”



Baile das harpias
Em árvores carbonizadas
Rindo do fim
Fumaça sangra
Nosso jardim
A alma do éden
Adoentada.





“O pedigree do mel não diz nada a uma abelha”



O rancor dos homens
Contaminou as flores
As abelhas
Morreram de cólera
Adocicada


Último zumbido
Acordou o Sol
Em cadência afinada
Qual canção do Vangelis



“Toda coberta de insidioso musgo”

Sol magenta de maio
Alma dos ancestrais
No corredor
As goiabeiras
O relógio cuco
O mundo tinha musgo
No chão
Nas paredes
No vão das cercas
Nos alfarrábios
O mundo inabitado - Esquecido
Que se fecha sem ruído
Em saudade - Evapora
Azul de signos
Molhado de lágrimas


Bárbara Lia



Friday, February 04, 2011

Black Swan - psychological thriller



A semana termina com o recado do filme - Cisne Negro
- Depois de alcançar a perfeição, só resta a morte.
Vamos então burilar os dias. O tempo esticou nesta tarde, voltando do cinema, caminhando e pensando - sim, estou longe do lugar onde apenas o salto para o fim aguarda. Imperfeita das imperfeitas, eu a poeta embrulhada em brisa de tarde e sol de verão. O dia claro que sempre abraça quem sai do escuro do cinema. Um cisne negro a clarear o momento. Bela Natalie Portman. Bela. Bela. O teu sangue gotejou esperanças na alma da poeta. The woman is perfect. Escreveu Sylvia Plath - derradeira abertura de último poema. The woman is perfect. Nada mais se espera para o além da perfeição. Esta que elas buscaram em uma alucinada dança que envolve drama loucura e amor. Eu estou incompleta, imperfeita e aparando arestas.

Wednesday, February 02, 2011

Caderno G


Constelação de Ossos
Barbara Lia.
Vidráguas, 80 págs.
R$ 25.
Romance.

"A escritora paranaense Bárbara Lia, mais conhecida por escrever e publicar textos poéticos, surpreende com uma longa narrativa em prosa, fluente e lírica. Constelação de Ossos é uma trama narrada por uma personagem chamada Lynz, para quem as experiências dolorosas do passado parecem ser uma âncora que a impedem de seguir em frente. Metáforas e sonoridades inesperadas conduzem o leitor da primeira a última palavra, em um fluxo contínuo."


Dia 30 de janeiro na seção - Lançamentos - da Gazeta do Povo - o meu romance - Constelação de Ossos . O livro está à venda- aqui em Curitiba - apenas na Livraria do Paço. Na Internet pode ser adquirido na Livraria Cultura.

Chopin, segundo meu amigo Wilson

Chopin mergulhava no Inferno para encontrar o Paraíso;
Na Vertigem executava a Alma, a libertando através da Música.
N`Ele concentrava-se o Cristo recrucificado da Europa
a perdoar os flagelos polimorfos dos grandes Impérios.
O gênio incontido no cristal de sua existência
era embalado por Sand em meio a todas as cortes e silêncios.
Carregava correntes de luz que não o impedia de voar.
Voava até o Sol e cego balbuciava seus pesadelos
entre os tesouros produzidos por seus dedos.
A Polônia dilacerada e eterna vivia N`Ele.
Apesar dos doutores Caruncho e Fernandez o apontarem como mero
doente epilético.
Wilson Roberto Nogueira
raptado do site Poeteias


...



... 
Chopin foi minha trilha sonora em 2010, enquanto escrevia um livro, que espero lançar breve...

ADAMARE




Eu sem ti: Catedral de argila.
Campo ceifado. Esperança
de brisa. Anjo desnorteado.
Nua de luz e vida.

Adamare! Adamare!
Mantra de medievais baladas.
Adamare! Adamare!
Balcão de flores, mãos aladas.

Véu na sacada
Cristais de lágrimas, acenos.
És o pastor andante que seguirei calada.

Pássaro invisível - Pégasus.
Adamare!
Rio que deságua no adeus.

Bárbara Lia
Adamare
21 gramas/2010
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
foto - Kátia Torres
Adamare - título de um dos livros
da coleção 21 gramas

Tuesday, February 01, 2011

COHEN / LORCA




Federico García Lorca: Pequeño Vals Vienés




En Viena hay diez muchachas,
un hombro donde solloza la muerte
y un bosque de palomas disecadas.
Hay un fragmento de la mañana
en el museo de la escarcha.
Hay un salón con mil ventanas.

Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals con la boca cerrada.

Este vals, este vals, este vals, este vals,
de sí, de muerte y de coñac
que moja su cola en el mar.

Te quiero, te quiero, te quiero,
con la butaca y el libro muerto,
por el melancólico pasillo,
en el oscuro desván del lirio,
en nuestra cama de la luna
y en la danza que sueña la tortuga.

¡Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals de quebrada cintura.

En Viena hay cuatro espejos
donde juegan tu boca y los ecos.
Hay una muerte para piano
que pinta de azul a los muchachos.
Hay mendigos por los tejados,
hay frescas guirnaldas de llanto.

¡Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals que se muere en mis brazos.

Porque te quiero, te quiero, amor mío,
en el desván donde juegan los niños,
soñando viejas luces de Hungría
por los rumores de la tarde tibia,
viendo ovejas y lirios de nieve
por el silencio oscuro de tu frente.

¡Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals, este vals del "Te quiero siempre".
En Viena bailaré contigo
con un disfraz que tenga
cabeza de río.
¡Mira qué orillas tengo de jacintos!
Dejaré mi boca entre tus piernas,
mi alma en fotografías y azucenas,
y en las ondas oscuras de tu andar
quiero, amor mío, amor mío, dejar,
violín y sepulcro, las cintas del vals.


Link para o Youtube, canção interpretado por Leonard Cohen - poema de Garcia Lorca:

Saturday, January 29, 2011

Artesanais

O rasurado azul de Paris - Poesias para RIMBAUD!

O rasurado azul de Paris e o Poema-Epopéia  Uma lua em teu ventre

Coleção dourada - Percepções, Adamare, Para Camille-com uma flor de pedra e Cigarras no Apocalipse




Ouro & Céu



Carinho poético da Kátia Torres Negrisoli, fotografou meus artesanais. A coleção Ouro & Céu - Quero retomar a produção dos livros e espero que 2011 seja serpenteado de fios, poesias, abraços, palavras, trocas e muito diálogo com os poetas do mundo, que engendrou esta pequena coleção de livros feitos à mão... fios & palavras & coração...
Os detalhes dos artesanais na Página - 21 GRAMAS. http://edicoes21gramas.blogspot.com/
Gracias Kátia pelo carinho com minha poesia, SEMPRE!

Tuesday, January 25, 2011

TOM!

  Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (25-03-1927 / 08-12-1994)


"Ele via o rio passar, roncando nas pedras, as águas espumaradas. Aquele ruído o apaziguava. Na outra margem, começava o pasto que ia dar no morro do Dirindi. 'Dindi' não era, como muitos pensavam, um nome de mulher. Mas sim toda aquela vasta natureza e seus segredos”

(Helena Jobim)
do livro "Antonio Carlos Jobim, Um Homem Iluminado" [Ed. Nova Fronteira].

Monday, January 24, 2011

Se um amigo em uma noite de verão...

envia uma poesia que fala do meu silêncio líquido, só resta dividir com quem ama poesia. Marcelo Bourscheid - além de um ótimo dramaturgo - comete poesias belas, esta ele fêz para mim... Pós-leitura de Constelação de Ossos (?) não importa, a solidão da personagem nasceu da minha solidão e fico observando a leitura que cada um faz do meu roteiro de estrelas amalgamadas. C'est la vie!


ESTAR SOZINHO
Para Bárbara Lia.

                             Líquido momento de sentir
                                       E estar sozinho.
                                       Mariana Ianelli


Aqui
não há
a voz das folhas secas
a te sussurrarem
- sob o peso dos teus passos –
segredos do outono.

O coração se calou.

O silêncio
aqui
já não te causa medo.
O silêncio
aqui
é líquido como o deserto
ou como a hora
líquida e incerta
de estar sozinho.
MARCELO BOURSCHEID
Poeta e Dramaturgo

"Constelação" de amigos





Cláudio B. Carlos (CC) é poeta e prosador, nascido em 22 de janeiro de 1971, em São Sepé, RS. Desde 2005 publica na internet.
Em 2010 criou O Bodoque – Grupo de Escritores.
Com o Grupo O Bodoque publicou “Pequeno tratado sobre o grande nada & outras insignificâncias”.
Publica experimentos poéticos em áudio e vídeo aqui: http://www.balaiodeletras2.blogspot.com/



Kátia Torres Negrisoli - poeta de Adamantina - com Solidão Calcinada e A última chuva.



Lúcélia Grasso - Minha amiga desde os bons tempos do primeiro curso universitário - lá no interior - conheci a Lu em Campo Mourão e mais de três décadas ela - ainda é - a amiga pra o que der e vier...


A poeta Gabriela Caramuru - Vestida Noir - lendo Noir

Sunday, January 23, 2011

"manhã tão bonita manhã"


MANHÃ DE CARNAVAL
Composição: Música: Luiz Bonfá - Letra: Antonio Maria


Manhã, tão bonita manhã
Na vida, uma nova canção
Cantando só teus olhos
Teu riso, tuas mãos
Pois há de haver um dia
Em que virás

Das cordas do meu violão
Que só teu amor procurou
Vem uma voz
Falar dos beijos perdidos
Nos lábios teus

Canta o meu coração
Alegria voltou
Tão feliz a manhã
Deste amor



Tuesday, January 18, 2011

CASA DA MEMÓRIA TRISTE - MÁRCIO DAVIE CLAUDINO

(revisitação à Desdêmona)

1

Hoje a lua está mais leve
prenhe de presságios.

A sua cisma está mais leve
mas ela ainda pensa que enlouqueceu.

Recorda sempre o tempo
em que andou por casas de saúde

mas nem uma palavra
sobre os abismos meus.

2

Ela desliza num mar platinado
de antigos sonhos e quartos

escondida
da sindrome do pânico

bebe nossas memórias
nos garrafões do vento.

3

Lolita de Egon Schiele
reinaugurou virgens uivos

e reabilitou velhos lobos

Agora arrepende-se por quase tudo
e desmonta-se num choro incomensurável.

4

Hoje
vim buscar seus fiapos

sentir o fogo do seu coração
colher o orvalho de sua testa


ouvir seu pranto (sua lógica infiel)
pelo engano de todos esses anos.

5

Hoje
fui chamado à sua casa

onde enterrei um baú de ossos
e versos lamentáveis.

Muito depois desse tempo
meus braços criaram carnes

minha boca teve fomes
meu sangue latejou de desejos

minha alma nutriu-se
de outros sonhos

6

Vim aqui servir-lhe o café da manhã
na bandeja da ilusão.

A mesma que um dia
também me serviu.

Volto
para trocar as camisas

(de quem é a da derrota?)

ao final do jogo
em que tudo deu errado.

7

Mas sobra ainda nos retratos
a ponta de um sorriso triste

E após uma entrega
das mais felizes

atuamos em outros campos
com camisas desprezadas

(Torcendo um pelo outro?
Não, que a paixão é egoista).

8

Hoje
superado o desastre da perda

(Somos solidários no câncer e no desamor)

amparo, ainda ssim,
outras flores mortas ejaculadas

e dos desertos
teus áridos solos de amor

9

Nossos dedos
não trocaram alianças

nem fomos mais felizes
do que ainda podemos ser.

Somos apenas peixe e anzol, lua e sol,
num horizonte tardio

que se entreolham
num breve sorriso meio triste

cheio de suposições
que podem dizer muitas coisa e nada

ou qualquer clichê, como esse
de um poema que troca sua camisa desprezada;

10

Hoje o sol está mais leve
prenhe de augúrios.

Reverencio a casa
de outra amada

-


(Antologia 44º Femup - 2009
3º Lugar Nacional)

Thursday, January 13, 2011

Tuesday, January 11, 2011

FLORES SÉSSEIS, VIDROS E ÁGUAS: CONSTELAÇÃO DE OSSOS - Darlan M. Cunha






Fico-lhe especialmente grato pelo seu livro enviado a mim - Constelação de Ossos -, o qual me falou alto pela bela sintaxe, pelo pensamento bem concatenado, enfim, agradou-me de fato.
Tomei a liberdade de escrever algo das sensações que ele me trouxe. AQUI:

http://paliavana4.blogspot.com/2011/01/12.html

Sunday, January 09, 2011

Casé Lontra Marques

Reparto com os leitores do chá esta bela mensagem do Casé:

Onde o silêncio
Leio sempre com atento prazer o que escreve. Seus textos — sinuosamente elaborados, sinfonicamente concisos — fundam, com singular potência, territórios onde o silêncio propicia uma outra forma de sobrevivência. - Casé Lontra Marques.








A

A solidão até então aturdida tateia a luz incerta do dia. Não direi que há conforto nesse instante já distante; prefiro pensar na cicatriz próxima à escrita - aquela que não quero, com intrincado temor, dedilhar.

B

(Ainda não recebemos notícias da última colheita; não explicarei porque não estamos preocupados. Reafirmamos a vontade de palavra, recordando as mortalhas que mastigamos quando selamos a língua da qual não restará qualquer sinal.)

                                                             C

Ainda ergo os olhos do sono, mesmo quando recuso o amparo - improvável - do corredor. Depois amanheço prorrogando o café entre os lábios gretados. (Assim que o silêncio não puder mais recuar, o calor envolverá as paredes que evitarei recuperar.)

(IV)

Porque prevejo o seu regresso,
observo
o intervalo entre os temporais

(sobre
o solo do hálito)

Porque pressinto a sua potência,
grafo
na manhã - em meio ao centeio -

uma cifra híbrida

(sobre
um solo cada

vez

mais ácido)

CASÉ LONTRA MARQUES
SABER O SOL DO ESQUECIMENTO
Aves de àgua - Coleção Área Clara / 2010

**

O silêncio que Casé citou em uma mensagem que recebi com carinho. O silêncio onde teço toda a minha poesia, toda minha invenção em enredos que me fazem migrar para a prosa. O silêncio, este que anseio loucamente. Ao pressentir que escapava de mim este silêncio, compus a ode ao silêncio que está no livro - Coreografia do caos. Ando em busca deste silêncio para germinar as ideias várias que pululam em meu coração. Cada ano que nasce traz uma infinidade de sementes em um cesto que algum anjo sapeca deixa na janela do meu quarto. Ano passado foi em uma destas horas mornas desta cidade morta - que fica morta a cada janeiro - que iniciei o livro que tem como cenário o - grande mar redondo - Paranaguá. E neste início de ano um anjo erótico serpenteou poesia na minha pele e tudo engendra líricos manifestos em louvor ao corpo e ao encontro dos corpos.
O silêncio que ando laçando nas manhãs, como uma amazona ensandecida, guardando-o entre as paredes desta casa para poder beber esta poesia profunda que o Casé enviou. Um tempo para ler o sol do esquecimento, a densidade do céu. Uma alegria esta partilha com os poetas do mundo.



grávida de filmes - compondo um tema que enlaça a tela e a letra e a alma

La nave va...

Ilya! (Vmesto Pis'ma) - Bárbara Lia - para Connor Storrie

“Ilya! Vmesto Pis’ma” é o título perfeito para o que escrevi, fulminada de encanto e admiração pela Arte de Connor Storrie. Em lugar de uma...