Wednesday, August 04, 2010

Constelação de Ossos - Bárbara Lia (Coleção Anáguas - Vidráguas)

Com muita alegria anuncio a publicação de um novo livro: Constelação de Ossos

Em abril, no lançamento de - A última chuva - onde apresentei alguns poemas durante o Festipoa, estava a editora Carmen Silvia Presotto. No meu retorno, recebi um email e iniciamos um diálogo e - em nome da poesia - realizamos belas parcerias. Uma delas é - Constelação de Ossos - com lançamento previsto até o final de agosto, meu segundo livro em prosa. Vai abrir a coleção Anáguas da editora. Breve publico a imagem da capa.



"Com Constelação de Ossos, livro de Bárbara Lia, iniciamos a Coleção Anáguas, dedicada a novelas, contos e poesia eróticas, visando publicar escritos inéditos de quem não teme se mostrar em palavras e sentimentos" (Vidráguas)




Constelação de Ossos - Novela narrada por Lyn, cantora de bar e garota de programa. O livro é a voz de uma pessoa excluída. Personagens que caminham à margem e também é sobre a desistência... É um drama que a prosa poética ameniza. Faz parte da Coleção Anáguas pela linguagem visceral das cenas de paixão. Um livro que escrevi a partir de uma frase. Uma manhã qualquer e uma frase-raio invade seu pensamento. Você espera escrever um novo poema, e um enredo se apresenta e uma personagem, com nome de Constelação - Lynx. A frase de uma manhã que engendra um livro -
Sonhei com o anjo d'água.



"Lynx Maria.

Não soava como nome. Soava como nome de profecia, nome de banda de rock, nome de ritual de alguma seita, nome de alguma trilha em algum monte sagrado. Herdei o nome da constelação mais apagada do céu. Minha mãe ficou a me consolar naquela manhã a preparar a salada de chicória. O céu tinha gosto amargo e eu tinha nome de um aglomerado de estrelas" - Constelação de Ossos - Bárbara Lia


Carmen Silvia Presotto (Vidráguas) entrevista Ferreira Gullar

Wednesday, July 28, 2010

Leminski & Bueno


 
Wilson Bueno foi convidado a compor o debate poético com o Edu Hoffmann no Projeto - Café, Leite-Quente e Poesia, no Café do Paço - O tema Oriente x Ocidente. Logo após dizer sim ao Elisson Silva, o Bueno foi assassinado - a ideia segue como homenagem. Por isto, esta edição do projeto do Café do Paço - no Paço da Liberdade - vai ser em homenagem ao Wilson Bueno...
Oriente x Ocidente
dia 07/08
16h
Café do Paço
Curitiba
Entrada Franca


e no Wonka Bar, homenageando Leminski:




"Sinal cifrado para enovelar o divino"

Imagem de Pia Calderón






Trinta e dois ventos
    da rosa dos ventos
Vinte e um gramas
    do peso da alma
Oito países
    a comandar a Terra
UM Deus louco
    pelas ruas bombardeadas


Bárbara Lia
in Antologia do Prêmio Ufes - Literatura

Sunday, July 25, 2010

Aforismos e Arremedos - Lincoln D'Ávila


tia coruja




Meu sobrinho Lincoln D'Ávila poeta, músico e professor de História vai lançar o seu primeiro livro de poesias e letras de músicas - Aforismos e Arremedos - entro nesta publicação com o carinho orgulhoso de tia coruja. Parece que foi ontem que ele fez um aninho nesta foto em meu colo e eu, menina ainda. O tempo voa e ele cresceu em arte e sabedoria. Agora vou entrar neste livro em uma parceria que me deixa muito feliz, pelo convite e pelo carinho. O semestre promete parcerias, vou relatando aqui os novos passos da poeta. Este momento é de celebração. Lincoln vive em Campo Mourão, todo ano organiza um evento em outubro - Homenagem a John Lennon. Compõem belas canções e escreve poesias. Por isto, vamos comemorar a poesia e a música muito em breve.
Dois poemas que vão entrar no livro - Aforismos & Arremedos:

Tributo a Nietszche



A Grande Árvore atravessa altaneira as estações
Da beleza verdejante à secura do inverno
Os frutos podres lamentam a dor da queda
Os brotos rebentos não sabem que são felizes
As flores que anseiam pela criação tornarão ao chão


A Grande Árvore só conserva o necessário
Os membros mortos são levados pelos ventos
As verdes folhas são abandonadas quando importunam
A beleza efêmera da florada não ultrapassa a reprodução



Ah, agora a Grande Árvore preza pelo raio
Seus ramos adoecidos gangrenaram
Os macacos insanos vieram e abusaram de seus ciclos
A sacudiram até derrubarem suas crias
Arrancaram suas peles para adornarem o ventre
Perfuraram suas artérias para tomar a seiva
Mutilaram suas raízes para o progresso da ciência


Porém, o raio derradeiro ama a grandeza da Árvore
E junta suas forças para o beijo renovador
Oxalá Deus nos perdoe, pela ignorância e abuso
Que demos à nossa mãe Terra
Porque ela há de continuar
Com ou sem nossa presença
Lincoln D'ávila
 
 
"O pedigree do mel não diz nada a uma abelha"
                                                    Emily Dickinson


O rancor dos homens
Contaminou as flores
As abelhas
Morreram de cólera
Adocicada



Último zumbido
Acordou o Sol
Em cadência afinada
Qual canção do Vangelis
Bárbara Lia

me roubaram uns dias contados









"Um céu despe-se em nódoas e gotas de sol. Vai escurecendo. São dezessete horas e quatro minutos. Com quantos dias de neve se faz um inverno? Com quantas pétalas de rosa se faz uma primavera? Com quantas folhas caídas e farfalhando ao vento se faz um outono? Com quantas gotas de sol se faz um verão? Estão lançando a coleção primavera-verão. Vou ao coquetel de tênis branco e roupa de palhaço. Vou fazer macaquices para os ricos. Eu frequento festas para comer e beber um bom vinho. Vou a todos os lançamentos de livros. Conheço todos os escritores. Tomara que este livro não me dê um prêmio bom. Mozart teve dívidas. Balzac teve dívidas. O que me para é o SPC."

"O poema é o espaço da rebeldia da linguagem e a prosa é a linguagem da rebeldia."


"Ontem Johnny Depp comprou uma ilha. Perguntaram a ele por que comprou uma ilha. Respondeu que comprou para nada. Somos uma ilha. Todos nós somos uma ilha. Cercada de gente e cada vez mais gente. Por que tanta gente coloca mais gente no mundo? A economia global está pronta para o crescimento. Eu queria acabar o livro aqui, pois ele já disse tudo que eu queria dizer. Mas Rodrigo quer seiscentas páginas. No fundo, é um ambicioso. Um cara que quer fama, poder e você. Ele só quer você. No fundo escrevo porisso. Uma interrogação. Uma pergunta. Um mistério. Um enigma. Um oráculo. Não sou o seu oráculo. Também, você não me pergunta nada. O meu silêncio à vezes cala, e eu não consinto quando calo."

(me roubaram uns dias contados - Rodrigo de Souza Leão - ed. Record)



Um livro que leio com reverência, sabor de adeus antecipado, despedida à revelia. Lembro trocas poéticas esparsas e a interrupção abrupta. Neste vácuo da tua ausência eu fico aqui, com este livro e com as lembranças, puxando a linha do tempo pra recuperar os dias contados, nossos dias roubados, nossos dias...

Saturday, July 24, 2010

Wednesday, July 21, 2010

The Burning Plain


Este filme de Guillermo Arriaga lembra 21 gramas e Babel, não poderia deixar de ser assim. Quando a gente escreve, um belo dia constata que estamos contando uma história que se interliga e que dentro de cada enredo tem um enredo único. Os roteiros de Guillermo Arriaga vão sempre abrir o paletó de carne e revelar corações sangrados. Não há tempo para a leveza, mas, há para a poesia. Como diretor de seu próprio texto ele conseguiu cobrir todas as arestas e unificar a trama em um único golpe. Um grande escritor este cara. Um revelador do drama das fronteiras. Fiquei pensando nesta dramaticidade que só mesmo Charlize Teron podia incorporar, com a facilidade que ela tem de vestir a alma dos personagens. O silêncio do inverno aniquilante ficou triste, mas, ficou real. O silêncio do meu inverno acompanhando as alternadas cenas, esta facilidade que ele tem de revelar tudo em polaróides líricas. É um filme para assistir assim, a sós, isolado como um velho trailer que incendeia em uma planície e, finalmente, constatar a inevitabilidade das paixões.

Tuesday, July 20, 2010

Camille Claudel


HAMADRYADE I



Poesia escrita com cinzel
Resquícios passados à pedra
a retirar das entranhas, risos
e guirlanda de nenúfares


Ninfa das árvores
tocada de abismo
a olhar o limiar trágico
acima dos lagos azulados


Hamadryade orgulhosa
retorna ao quarto escuro
brancas corujas no muro
no casarão da vida gloriosa


Crua beleza nua, Danaide
ouvindo as estrelas do Sena
um céu-verde claro sonoro
a levar a barca dos amantes...


...Trinta anos descolorem
rios
pedras
corujas. ..
Nunca os nenúfares!


Estes que rolam em cascatas
no castanho seda dos cabelos
e caem no lago do esquecimento
calcinando o ódio da menina
de Villeneuve-sur-Fére
Sepultada viva em Ville-Èvrard
sonha na cripta:


o café do Brasil
cerejas embebidas em aguardente
um pacote de amor de mãe
um beijo da coruja ausente



Esculpe em astros abrasados
o ódio ao amante hostil
dorme congelada.
Destroços abraçados
à uma tola estrela senil




HAMADRYADE II




Ária de adeus
nos lábios do amante
Guirlanda de Nenúfares
em cascata
Quando chega ao chão
petrifica o rio
Ninfa das árvores recupera
o tempo do amor ardente

O corpo imberbe que esculpias
Danaê alva no ateliê escuro
Corujas na vidraça
enganando o dia.

Bárbara Lia
Para Camille, com uma flor de pedra
ed. 21 gramas/2010

Saturday, July 10, 2010

Ponte Necessária



TODAS AS MANHÃS
                        para Ferreira Gullar


a existência é um instante
convém não chorar suicidas
ou o dorso etéreo da vida

toda hora é apenas
a sequência invisível
de um fotograma súbito
e tudo é, todos somos
construção que desaba
: há, a todo fim, somente história
tua, minha, de todos, no ar,
no vento, no ventre e nos passos
esquecidos sobre a terra
em verdade, perdidos
estamos todos pela vida
como se diante de um muro
: o futuro, é preciso cuidado

e assim é, assim somos
finitude óbvia o tempo todo,
todas as manhãs, cada qual
com seu gesto bom, palavrão

e abismo

Ernani Fraga
Ponte Necessária
Edições Costelas Felinas/2010

Tuesday, July 06, 2010

Frida

Frida Kahlo



A coluna partida é um dos quadros que mais admiro, Frida é o espelho. Tão próxima que me fundi com ela quando li sua vida em 1992. Era eu - Era ela. Ascendência indígena, liberdade sem rédeas, pés com resquícios da doença infantil. Éramos nós fundidas em um quarto fechado, meu mundo mergulhando na aura de um tempo que traria esta proximidade lúdica.
Frida nasceu em 06 de julho de 1907. Ícone. Deusa tolteca. Presença Potente. MULHER.




La vie en noir

 


Cantar a dor – Piaf
Pintar a angústia – Kahlo
Esculpir a mágoa - Claudel


Não me afasto dos mitos
Escrevo o abandono
Com a coluna partida
La vie en noir


Bárbara Lia



À sombra dos murais em flor

(para Frida Kahlo)


(Cravos na pele
Os seios
A coluna jônica
A pele tolteca
Os pregos
Os pregos
Via-crúcis
Expiação)


Pinto em palavras
A tua dor
Sonho teus sonhos
Vivo os maremotos sutis
As espinhosas horas
Que nos traz o amor

Pinto girassóis de aço
Espumas
Estrelas
Vou colorindo
Com vulcânicos
Abraços
A solene tela

 (Riso-sol de meu Diego
À sombra
Dos murais em flor)

 

Bárbara Lia

Sol de Coyoacán (coleção artesanal/2010)


Monday, July 05, 2010

Carmen Silvia Presotto









 Indecisão


Cresci silvestre no oceano
estrangeira sem nome
água e éter


   vida...


Na terra,
poemas de barro.






**




Boca farta de risos sem dentes
ruíram os pássaros.


Além das nuvens,
estava o caminho para as novas pontes.


Na frente,
restaram os caninos


Encaixes
Carmen Silvia Presotto
Razão Editorial / Vidráguas - 2006


Site da autora:
http://vidraguas.com.br/wordpress/

Friday, July 02, 2010

Rodrigo de Souza Leão



Tela de Rodrigo de Souza Leão



Pequeno Tratado da Delicadeza

p/Rodrigo de Souza Leão



Rimbaud te espera
No barco bêbado encalhado
Em um mar crespado de turmalinas
- Lágrimas dos poetas 
Nas mãos, duas taças de absinto
Para brindar a vida fera
Dois homens de branco
Ancorados na beleza
A repartir
O fogo santo
O espanto
O canto
O eterno canto
Dos poetas...


- Por delicadeza / Perdi minha vida -


Por delicadeza
Entregamos a vida
Aos escarros
Por delicadeza
Entregamos a carne
Aos caninos ávidos
Por delicadeza
Atravessamos a bruma
Com lírios brancos
Nos braços
Rimbaud sempre à espera
Para brindar
A eterna primavera

Bárbara Lia

 
Completa  hoje um ano sem Rodrigo de Souza Leão. Sem palavras. Recordo apenas que uma das últimas vezes que escrevi pedi autorização para publicar uma tela sua em meu blog. É estranho amar tanto alguém que a gente nunca viu. Ou é mesmo verdade que somos apenas e somente, como disse Maiakovski...
 
 
Nos demais,
todo mundo sabe,
o coração tem moradia certa,
fica bem aqui no meio do peito,
mas comigo a anatomia ficou louca,
sou todo coração.
Maiakovski
 
- Rodrigo foi todo coração e dialoguei com este meu coração cansado por um tempo com o coração eletrizado dele - saudades!

Tuesday, June 29, 2010

Antologia do Prêmio Ufes de Literatura


Prêmio Ufes:




 
Mais uma poesia minha entre as publicadas na Antologia do Prêmio Ufes - Uma bela Antologia.

"A lentidão das palavras do arcanjo ao acordá-la"
 Emily Dickinson 


O sagrado despe as ilusões
e abraça as árvores mortas
suas folhas de um azul esmaecido
qual o manto da Virgem de Cambrai

Os ossos das árvores adoeceram
e elas morreram azuis
antes que tornassem brancos
os seus cabelos

Bárbara Lia 

Monday, June 28, 2010

Me roubaram uns dias contados



“Escrever


é uma forma de falar sem

ser interrompido.”
Rodrigo de Souza Leão
 
 

Wednesday, June 23, 2010

Tributo a Massao Ohno

H2Horas



ideograma
hieróglifo
ícone
iluminura
ementa

o poema
antevê
o cinema
Sylvio Back
H2Horas
Antologia e DVD
Portal Cronópios/Coletivo Dulcinéia Catadora

O exemplar que escolhi para mim - entre os que chegaram hoje via correio - esta bela parceria, crônica poética do tempo. No livro contribuo com 2 cenas/poemas:


Testamento enterrado

à sombra do roseiral:
Deixo meu violão
para a balconista da padaria.
A erva benta
para a velha do sobrado.
A chaleira
que chia Villa-Lobos
para Frei Gustavo,
que costura almas
nas manhãs de quarta.
O livro de poesia
de Augusto dos Anjos,
para o cobrador do expresso 022.


(Fragmento da poesia - Diante da janela, o roseiral - O sal das rosas / 2007)



*


Tem uma torneira vazando

enlouquecendo em azul
a noite.
Cai em ritmo de segundos,
tatua o tempo em estilhaços líquidos
(A última chuva/2007)

Guardo com carinho o livro/dvd, sentindo esta felicidade que só mesmo a poesia pode dar. Para saber mais sobre o Projeto H2Horas e comprar o livro/dvd segue o endereço:

Friday, June 18, 2010

Saramago

Hoje, sexta-feira, 18 de Junho, José Saramago faleceu na sua residência de Lanzarote, aos 87 anos de idade, em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença.

O escritor morreu estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila.

Prêmio UFES de Literatura

O gelo da morte na vidraça




Láudano para as dores reais
estas que bailam
nos olhos ejaculados
Para as dores invisíveis
chá de espectros
na chávena em chamas

Nunca me livrarei
dos vampiros anêmicos
Nunca os expulsarei
da mesa rústica
de sal e conchas

Ao meu redor -
a dança alucinada -
reverso do tango:

Ódio amornado em mel
Ódio guardado vaporoso
Ódio consagrado em si bemol

Purpurina enfática cai
nas feridas frias
Como manto de rainha bastarda -
Azul - de ódio adulterado
Bárbara Lia
- Prêmio UFES Literatura

- Ontem no Espírito Santo aconteceu o lançamento da Antologia do Prêmio UFES - A poesia acima, uma das  nove publicadas na Antologia.

La nave va...

Ilya! (Vmesto Pis'ma) - Bárbara Lia - para Connor Storrie

“Ilya! Vmesto Pis’ma” é o título perfeito para o que escrevi, fulminada de encanto e admiração pela Arte de Connor Storrie. Em lugar de uma...