Friday, October 17, 2008

Noir na antologia do Luis Serguilha

(clicar para ver a imagem)


patchwork #7




Saí pela janela e escalei a encosta até o alto de Bunker Hill. Uma noite para o meu nariz, uma festa para o meu nariz, cheirando as estrelas, cheirando as flores, cheirando o deserto e o pó adormecido, no alto de Bunker Hill. A cidade espalhava-se como uma árvore de Natal, vermelha, verde e azul. Olá, velhas casas, belos hambúrgueres cantando nos cafés baratos, Bing Crosby cantando também. Ela vai me tratar gentilmente. Não daquelas garotas de minha infância, não daquelas garotas da minha adolescência, daquelas garotas dos meus dias de universidade. Elas me assustavam, eram inseguras, me recusavam; mas não minha princesa, porque ela vai entender. Ela também foi menosprezada.Bandini, caminhando sozinho, não alto, mas sólido, orgulhoso dos seus músculos, apertando o punho para gratificar-se no duro deleite dos seus bíceps, o absurdamente destemido Bandini, sem medo de nada a não ser do desconhecido num mundo de misteriosa maravilha. Os mortos ressuscitaram? Os livros dizem não, a noite grita sim.
fragmento - pergunte ao pó - John Fante

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"Por acaso há humildade na terra? Aparentemente qualquer um pode fazer o que quiser dela: cavar, revirar, plantar. Mas no fim ela engole todos os que a dominam. E fica lá, num silêncio eterno."
fragmento do livro Caixa Preta - Amós Oz

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Fausto Wolff


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"Sem leitura não se pode escrever. Tampouco sem emoção, pois a literatura não é, certamente, um jogo de palavras. É muito mais. Eu diria que a literatura existe através da linguagem, ou melhor, apesar da linguagem."
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As nossas tristezas escondêmo-las nas jarras, temendo
Que os soldados as vejam e celebrem o cerco…
Escondêmo-las por futuras causas,
Tendo em vista uma celebração,
Uma surpresa ao longo do caminho.
Quando a vida for normal,
Sentiremos tristeza como toda a gente, por pessoais motivos
Hoje ocultados pelos grandes slogans.
Esquecemos as nossas pequenas chagas que sangravam.
Amanhã, quando o sítio sarar,
Sentiremos os seus efeitos secundários.
fragmento de Estado de Sítio - Mahmoud Darwich

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Sem a cultura, e a liberdade relativa que ela pressupõe, a sociedade, por mais perfeita que seja, não passa de uma selva. É por isso que toda a criação autêntica é um dom para o futuro.
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FIM DE 68
Contemplei da lua, ou quase,
o modesto planeta que contém
filosofia, teologia, política,
pornografia, literatura, ciências
exatas ou arcanas.
Nele há mesmo o homem, e eu entre eles.
E tudo é muito estranho.
Dentro de poucas horas será noite e o ano
terminará entre explosões de espumantes
e fogos de artifício.
Talvez de bombas e coisas piores,
mas não aqui onde estou. Se alguém morre
ninguém se importa desde que seja
desconhecido e longe.
Eugenio Montale
(tradução: Geraldo H. Cavalcanti)


patchwork #6




É monstruoso dizer-se que o artista não serve a humanidade. Ele foi os olhos, os ouvidos, a voz da humanidade. Sempre foi o transcendentalista que passava a raios X os nossos verdadeiros estados de alma.
Anais Nïn


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Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.
Clarice Lispector


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Não posso e não vou violar minha consciência para me adaptar ao que está na moda.
Lillian Hellman
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Uma palavra morre
Quando é dita
Dir-se-ia
Pois eu digo
Que ela nasce
Nesse dia
Emily Dickinson (trad. Aila de Oliveira Gomes)
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O escritor original, enquanto não está morto, é sempre escandaloso.
Simone de Beauvoir
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Sinto-me livre para fracassar.
Hilda Hilst


AXIOMA
Sempre é melhor
saber
que não saber.
Sempre é melhor
sofrer
que não sofrer
Sempre é melhor
desfazer
que tecer
Orides Fontela

Thursday, October 16, 2008

PROESIA





Depois de ler SOLIDÃO CALCINADA Frei Betto enviou-me um cartão com estas palavras:

"Agradeço a saga de Pietra, Esperança e Serena, toda PROESIA"


Minha amiga Marina Teixeira pinçou palavras dos textos em forma de versos, então lembrei as palavras do meu amigo Frei... Tem sido uma alegria ouvir algumas opiniões sobre o livro.


" Mesmo em meio aos escombros
o amor nasce em flor teimosa
que rompe a terra, o cimento
e beija as botas dos carrascos."


" O olhar desfaz em vinho minhas vestes.
E entre o fogo que me chega acariciante
percebo-o temerário. O amor lembra
mortalha lilás e ele o ignora.
Teme a morte.
Abraça-me em timidez de estanho ardente
e nossas peles assim de calor dividido
não conseguem separar-se."

" Percorrer a trilha,
recolher solenemente
os grãos da saudade.
Trilhar o meu corpo
que se cobre a outros
olhares e se despe
quando chegas como
um vento impreciso,
sem aviso, e apenas
anuncias como dono
do meu segredo e alma
-Estou aqui!"
( BÁRBARA LIA )...

trechos do livro "Solidão Calcinada"

estes fragmentos foram pinçados pela minha amiga Marina T. Maneschy, de Belém, de uma parte do livro (narrativa da personagem Serena)

De Shakespeare a Lennon, passando por Jane Austen





Meu momento - tia coruja - Meu sobrinho Lincoln, no palco do Teatro em Campo Mourão, em homenagem a Lennon, dia nove. Saudade de ouvir uma canção dos Beatles na voz do Lincoln. O outro sobrinho Flávio, vive em Londres com a namorada Mel. Foram visitar Stratford-upon-Avon, lá onde Shakespeare nasceu e me escreveram dizendo que pensaram em mim, e que gostariam que um dia eu aparecesse por lá, pela terra do William. Quiçá? O postal que enviaram de Londres é para me atiçar mesmo. E neste ambiente todo Inglaterra, culminou com um filme que vi, baseado na vida de Jane Austen. Tem gente que me procura em Curitiba, mas, faz tempo que eu deixo um esqueleto cansado fechado em um apartamento em um bairro chamado Portão e vou para outras paragens. Os lugares confessáveis eu publico. Algumas coisas só quando escrever minha biografia. Penso que está na hora de começar a escrever a minha história, para tal qual Fernando Pessoa disse no poema Tabacaria - Para provar que sou sublime.

Becoming Jane - filme de Julian Jarrold, baseado nas cartas de Jane Austen.
Um retrato da escritora antes da fama e seu romance com um jovem irlandês (James McAvoy) - Anne Hathaway interpreta Jane Austen. Nada de excepcional no filme, além de perceber que nada muda com o passar dos séculos. Jane Austen sonhava "viver da sua caneta". E de como ela cortava as palavras de seu texto, literalmente, com tesoura, formando um mosaico bonito na folha. Estas coisas que a gente vê e percebe as manias dos escritores, estas pessoas voluntariosas, como era Jane.

Sunday, October 12, 2008

Fausto Wolff


Eu tenho a mania de apagar algumas postagens. Vez por outra publico e apago. Mas, como diz minha filha Paula - o blog é teu, você escreve o que quiser. E segue o blog escrevendo e apagando - mania de virginiano - excesso de crítica, estas coisas. Uma destas postagens apagadas, além de alguma poesia, informava que o Jean Scharlau publicou o meu texto em homenagem ao Fausto Wolff, na revista eletrônica - O lobo. Jean Scharlau, lembro deste nome, pois foi para ele que o Fausto pediu que eu enviasse minha poesia, lá pelo ano de 2.003... É muito especial lembrar estas pequeninas coisas. Que foi no site dele, do escritor que eu mais admiro, que pela primeira vez a Internet conheceu esta poeta. Agora, o que escrevi quando tomei conhecimento da morte do Fausto, o Jean pescou na rede e publicou entre uma série de homenagens:

Wednesday, October 08, 2008

Patchwork #4




Quarta percepção – A alma é um beija-flor.

Magnólia sabia que não era só corpo.
Enrustida dentro vibrava em agonia ou alegria:
A alma.
A alma tem o peso de um beija-flor.
21 gramas.
Sabia depois de Guillermo Arriaga e de seus enredos únicos. Finalmente o cinema americano tinha alma, embora fosse alma de um mexicano. Tinha alma e ela pesava 21 gramas.
Na infância a percepção da alma trazia um estranhamento que a tirou do tédio.
Então somos algo mais...
Mais que barro, bem mais que terra & água modeladas por um Criador.
O sopro de Deus tinha 21 gramas e inflava dentro esta angústia ou esta sensação de hosana.
Sabia que a alma pesava pouco quando era feliz. Elevava a potências infindas quando vinha a dor. A dor aumentava o volume metafísico do elemento que nos aproximava de um éden.
Magnólia não gostava de perder tempo pensando no éden. Achava um desperdício viver em função do desconhecido.
Achava enganação acreditar no perdão e em reinos que cobririam todas as dores...
Na varanda do amado, em um final de inverno, ela veria o beija-flor.
A um palmo de seu rosto.
Penugem de veludo verde escuro olhos mínimos negros.
Esteve mais próxima do beija-flor que jamais estivera de outra alma.
Um diálogo de olhares de Magnólia com o beija-flor:

- Voas?
- Por vezes...

Foi a resposta de Magnólia à súbita interrogação.
Para provocá-lo pensou – sabendo que eles lêem mente como todos os pássaros...
- Minha alma tem o peso da constelação Ursa Maior -O beija-flor arregalou os olhos negros e teve pena de Magnólia.
Ela queria tocar o veludo verde que cobria o corpo mínimo e ele se foi sem que ela tivesse tempo de estender as mãos.
BÁRBARA LIA

Monday, October 06, 2008

Homenagem a Lennon em Campo Mourão


patchwork #3

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Algumas pessoas já nascem com um genoma de Deus? 
Uma substância a mais na alma, ou no sangue, ou nos ossos? 
Onde Deus pincela a genialidade? 
Na Alma? 
Os gênios riem altas gargalhadas como Amadeus... Wolfgang Mozart... 
Eu queria decifrar o segredo da beleza.
Ler em uma partitura os símbolos que soassem como um bálsamo. 
O encanto é. 
Ninguém narra, mas tenta. 
Em sinfonia, como Mozart.
Em lírica alegoria de palavras, como os poetas. 

Em ti o encanto é luz apenas.
E não necessita nem de música nem de palavra.

Bárbara Lia

Saturday, October 04, 2008

patchwork #2






as águas do entendimento
a insistência em prolongar o céu
só sabem manchar o belo
rasurando as tintas
que um pintor sábio traçou
cronologia sonsa, inócua
um dia em teus braços
sela o éden
por uma vida
dura mais que uma década
de noites frias
regadas à vinho Santa Ana
e acordes de Mozart.

Bárbara Lia

- Quando conheci o Francisco dos Santos, editor da Lumme, que publicou meu livro - O sal das rosas - recebi um livro com pinturas. Francisco dos Santos é artista plástico. A imagem acima está neste livro, e também no endereço abaixo:

patchwork #1



imersa em cena de Dali
bebendo chispas/raios mel
dos olhos teus
lágrimas caindo no rio
pentagrama
compasso de folhas
acordes de pássaros
e voz navalha
de Tetê Espíndola

Bárbara Lia
(Estava revirando arquivos e li um fragmento retirado de um romance e pensei naquilo do poeta ou escritor jogar ao lixo o que é mais belo. Por isto, as poesias inacabadas e os textos cortados de romances, vou colocar aqui no blog - um mosaico - patchwork de idéias, poesias, diário - e quiçá um tempo sem voltar aqui para escrever outra história)

Wednesday, October 01, 2008

Sunday, September 28, 2008

Ao ritmo do tempo




Bárbara Lia, autora que desenvolve linguagem e texto refinados, depois de quatro livros de poesia, publica agora o romance Solidão Calcinada (Márcio Renato dos Santos)


Na semana anterior o jornalista Márcio Renato dos Santos, da Gazeta do Povo e também do Jornal Rascunho, conversou com esta poeta para traçar um perfil da minha vida e obra. O texto foi publicado hoje no Caderno G da Gazeta do Povo. Este fiel retrato meu. Foco no romance Solidão Calcinada.
Confiram!


...
Para quem reside nas cidades paranaenses com Biblioteca Pública ou Biblioteca Cidadã, o livro deve aportar por aí. Em Curitiba, também nas Bibliotecas dos Bairros (Faróis do Saber).

com as próprias mãos





FESTIVAL DE CINEMA DO PARANÁ
apresenta:
"COM AS PRÓPRIAS MÃOS"
Filme de Aly Muritibacom Andrew Knoll, Ludmilla Nascarella e André Luiz Rathunde.


12/10/2008
20h
Museu Oscar Niemayer.

Friday, September 26, 2008

Poema



















Monet





Tangência de ferros nos trilhos rasga em ternura

Que ofende de tão bela.

Existirá paisagem de dor mais fecunda que

Trens rasgando trilhos?

Nuvem ao redor, que nuvem aquela?

Cenário trepida por trás de uma cortina

Estremecida

Até o ar se emociona quando o trem se aproxima

Diante dele a ternura de açúcar fervido

balançando em dobras de olvido

Esquecer!

Ser este trem que parte e vai levando diante dele

Uma cortina

Nossos corações diluídos acima dos trilhos

Eu e você... Recorda?

Recorda a fumaça do teu cigarro

Tua pele clara, o gozo líquido

- Cortinas de açúcar -

Recorda?

Recordam – eternamente –

Trens triturando trilhos



Bárbara Lia

O sal das rosas (2007 - Lumme Editor)



Thursday, September 18, 2008

kamikazes




Doze kamikazes
arrastam a delicada
açucena.

Doze kamikazes.
As lágrimas descem
feito fontes.

Nenhuma música
de anjos sonoros,
nenhuma.

Nas nuvens que passeiam,
exausto de tédio,
atira longe
o grão da maldade – o dragão da guerra.
BÁRBARA LIA
- O sal das rosas- Lumme editor, 2007


Neuza Pinheiro cantou o meu poema, musicado por ela e acompanhada de Tonho Penhasco (violão/guitarra), da banda Sabor de Veneno de Arrigo Barnabé e Ronaldo Gama (baixo/violão) da banda Nhocuné Soul. Uma honra infinita para esta poeta. Foi uma bela noite, apenas ressentimos todos a falta de carinho com que algumas pessoas tratam nossos visitantes. Ou a palavra seria respeito. Ou um desejo apenas de ser notado que toma conta de algumas pessoas em um ambiente. Mas, ainda assim, os meninos deram um show de música, e não se abalaram com o descaso da mesa ruidosa. Só mesmo uma noite como a de terça-feita - Flores de aço - para me tirar da introspecção e meu retiro voluntário. Rogéria Holtz estava acompanhada de uma banda ótima, que não lembro o nome de todos os meninos, apenas do Fábio Cardoso e Glauco Sotter.

Wednesday, September 17, 2008




Decreto:
Proibido derrubar
qualquer árvore

(exceto para
construir
berços
e violinos)

Bárbara Lia

in Pequeno Tratado da Delicadeza

Saturday, September 13, 2008

Tarsiwald



Tarsila do Amaral - Percurso Afetivo. Museu Oscar Niemeyer
A partir do Diário de Viagens da década de 20 o curador Antonio Carlos Abdalla definiu a seleção a ser apresentada aqui em Curitiba. Antropofagia, Procissão, a segunda versão da negra (fiquei pensando e olhando o quadro - o que faz a mulher mostrar um seio, esconder o outro, como quem se dá pela metade?) Gravuras, desenhos, pinturas, e os painéis delatando o itinerário em panfletos, cartões. Uma emoção no final ao olhar o diário aberto na primeira página:
NOSSA FELICIDADE É IRREMEDIÁVEL
Tarsiwald, assim Mário de Andrade dizia. O retrato de Mário de Andrade está lá... eles me parecem próximos, como velhos amigos, como se eu visitasse a casa dos ancestrais...
Um quadro que amei - Manacá (1927).
E a presença de Oswald prá todo lado.
A ALEGRIA É A PROVA DOS NOVE (O. A.)


Sunday, September 07, 2008

O lobo eterno

Um homem que dedica um livro de poesias "aos que não enlouqueceram nem lucraram com a loucura alheia" aprendeu que é difícil não enlouquecer neste mundo. Neste mundo onde uns lucram com a loucura, dor e agonia do outro, o Acrobata pede desculpas e cai na paz e em algum campo de papoulas aonde todos os seus sonhos vão se tornar reais em cada flor, em cada flor.
Li em muitas matérias de escritores e jornalista uma dúvida sobre - qual seria o grande romance brasileiro do século XX - falavam assim como falam quem será o próximo Guimarães Rosa ou a próxima Clarice Lispector. Como em Curitiba vivem sondando o próximo Leminski... Uma noite em um café o Rodrigo Madeira falou, enquanto fumava um cigarro e uma garoa fina caia na praça Santos Andrade: Estão sempre querendo achar o melhor, não é? Eu sorri e nos calamos em um silêncio que dizia mais que a nossa vontade de que a poesia fosse sempre maior que tudo. Rodrigo Madeira e eu não estamos com os olhos nesta disputa provinciana, estamos buscando contato com os verdadeiros monstros da poesia. Rodrigo me confessou que em uma noite, após ter conseguido o telefone do Ferreira Gullar, ligou para o poeta; eu, escrevi ao Fausto Wolff há uns seis anos e me debulhei como fã ardorosa, e ele teve a ousadia de publicar meu poema Labirinto em seu blog antigo. Para quebrar este rito de não me preocupar com o pódium, devo dizer, como uma homenagem verdadeira: Fausto Wolff escreveu o maior romance brasileiro do século passado. Entre tantas opiniões, nada vai abalar a minha opinião. À mão esquerda é um livro possante, e só um escritor potente em todos os sentidos pode escrever sua autobiografia e torná-la uma obra de arte sem rasura, Joaquim Nabuco fez isto com Minha Formação. Mas, vivemos em um país onde seus grandes escritores são esquecidos, e isto de forma mais violenta se ele tem a coragem que Fausto Wolff tinha. Quando menina eu via aquele rosto jovem e bonito, no tempo que ele foi apresentador de TV, me apaixonei pela imagem, e a vi depois, lendo - À mão esquerda. Minha paixão platônica dos quinze anos, voltando nas páginas de um livro escrito com uma verdade e uma poesia que arrancava lágrimas, risos e todo o campo da alma e cada milímetro palmilhado dentro de mim, exultava por aquele menino precoce, que se torna jornalista aos 14. Um homem que ama e seduz todas as mulheres que encontra. Um lobo que encontra o amor na meia idade e toma posse dela, pois é preciso viver o amor em calmaria. Um revolucionário ardente, inteligente, instigante, mas, sofrendo às raias da loucura, por entender que é preciso ser muito forte para não enlouquecer neste mundo.
De poeta para poeta, toda a imensa saudade. Fausto Wolff, um lobo na eternidade.

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IDADE
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Às vezes,
Os deuses que fodem
Na névoa do teu cérebro
Se vingam.
Outras não.
Por via dessas dúvidas
Etílicas
É preciso tomar cuidado.
Livra-te, portanto,

Do canalha, idiota, torturador
Que, sorridente,
Enche o teu saco
Na mesa ao lado.
..
...
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O INVASOR
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Dizem que não trabalho as vírgulas.
Acusam-me de ignorar as hipérboles.
Riem dos pontos da minha exclamação.
O único Alexandrino que conheço
Era almirante em Botafogo.
Querem um poeta que ponha a rima rica
No fogo.
Não sei ser tão complicado.
Minhas metáforas entendem
Seu próprio significado.
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...
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LIVRO
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Nem sei como me ajeitei
Sem me machucar muito
Na máquina de moer fé.
Acho que fui protegido
Por um livro
Achado no lixo
Chamado Robinson Crusoé.
..
...
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LIBERDADE
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Fure os tímpanos
Corte a língua,
Vaze os olhos com um garfo,
Ponha ácido nas narinas,
Corte as mãos.
Dance na escuridão da cela
Do tamanho do seu caixão.
Então sim, possibilidade.
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FAUSTO WOLFF - O pacto de Wolffenbüttel e a recriação do homem (Bertrand Brasil, 2001) este livro tem na contra-capa uma carta do Manoel de Barros...
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Carta de Manoel de Barros sobre o primeiro livro de poesia - Cem poemas de amor e uma Canção despreocupada.
Campo Grande 5/11/00
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Caro poeta Fausto Wolff,
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Você não tinha nada que pedir desculpas por sua poesia que é poesia que é poesia. O que a gente sente é que você pegou a tarefa de livrar o mundo de suas chagas. Trabalhou e trabalha ainda através de seu verbo sarcástico para atacar as hipocrisias, etc. Por tudo isso o poeta foi abafado. Estava lendo os seus poemas com a Stella e ela comentou: como que um homem tão enorme, tão comunista e tão alcoólatra (como está confessando) pode ter uma alminha de borboleta e de passarinho! Eu respondi: é porque o Fausto brigador abafou o poeta. E porque a liberdade do poeta é terrível carcerária. Só agora deixou escapar por uma fresta a sua alminha de ternuras. Nossos parabéns e nossos beijos.
Stella e Neguinho.

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Última crônica do Fausto Wolff:

http://jbonline.terra.com.br/extra/2008/09/05/e050910341.html

Friday, September 05, 2008

Música para sair do carro




Inicia hoje o MUSICA PARA SAIR DO CARRO, uma proposta de reflexão sobre o uso irrestrito dos automoveis em Curitiba e a preferência deste modal de transporte sobre todos os demais. Os carros degradam o espaço urbano,destroém o silêncio, poluem o ar puro, agridem e matam irrestritamente. O urbanismo deve levar em consideração as pessoas e não as maquinas. A rua como espaço de convivência, encontro e dialogo acontece pela valorização dos ciclistas e pedestres. Ruas com pessoas, musica, arte e interatividade. Ruas com vida.
Esta atividade faz parte do calendario do
ARTE BICICLETA MOBILIDADE
http://www.artebicicletamobilidade.wordpress.com/
que/ esta reunindo diversos artistas, grupos e pensadores em torno da questão da bicicleta na cidade. O auge do evento acontecera no dia 22 de setembro, DIA MUNDIAL SEM CARRO, com uma conversa com os candidatosa prefeito sobre as bicicletas na cidade e a MARCHA DAS 1000 BIKES, com saida marcada pras 18hs na reitoria da UFPR. Valelembrar que os candidatos estão convidados a comparecer de bicicleta para comprovar a falta de estrutura ciclistica da 'capital ecologica'.

Serviço:
MUSICA PARA SAIR DO CARRO
Local:
Esquina das ruas Augusto Stresser e Barão de Guarauna
Horario:
A partir das 18hs
dia 05 - Quintetinho e amigos
dia 11 - Caê Selector e Projeto Tábua
dia 18 - Performance Tamo
dia 24 - Mistura Brava e Anomalia Antipoluição

Monday, September 01, 2008


- Lago Barigui - um verão antigo -

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Passei a vida inteira comendo sonhos
Comendo sonhos como os homens das cavernas comiam carne crua
Passei a vida inteira comendo possibilidades abortadas
Recolhi a flor no ventre escuro do caule
Acendi estrelas com incenso em brasa
Passei uma vida de encantar o tolo e encantar-me pelo nada
Só tua carne me alimenta
Só tua possibilidade é o parto de uma nebulosa de gerânios
Eu, a parteira, recebendo mil flores entre os dedos
Só tu acendes estrelas com teus dedos de carne


Bárbara Lia
...

La nave va...

Ilya! (Vmesto Pis'ma) - Bárbara Lia - para Connor Storrie

“Ilya! Vmesto Pis’ma” é o título perfeito para o que escrevi, fulminada de encanto e admiração pela Arte de Connor Storrie. Em lugar de uma...