Friday, October 17, 2008
patchwork #7

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"Sem leitura não se pode escrever. Tampouco sem emoção, pois a literatura não é, certamente, um jogo de palavras. É muito mais. Eu diria que a literatura existe através da linguagem, ou melhor, apesar da linguagem."
As nossas tristezas escondêmo-las nas jarras, temendo
Que os soldados as vejam e celebrem o cerco…
Escondêmo-las por futuras causas,
Tendo em vista uma celebração,
Uma surpresa ao longo do caminho.
Quando a vida for normal,
Sentiremos tristeza como toda a gente, por pessoais motivos
Hoje ocultados pelos grandes slogans.
Esquecemos as nossas pequenas chagas que sangravam.
Amanhã, quando o sítio sarar,
Sentiremos os seus efeitos secundários.
fragmento de Estado de Sítio - Mahmoud Darwich
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Contemplei da lua, ou quase,
(tradução: Geraldo H. Cavalcanti)
patchwork #6

Clarice Lispector
Nesse dia
O escritor original, enquanto não está morto, é sempre escandaloso.
Sempre é melhor
Sempre é melhor
Sempre é melhor
Thursday, October 16, 2008
PROESIA
e nossas peles assim de calor dividido
Trilhar o meu corpo
De Shakespeare a Lennon, passando por Jane Austen



Meu momento - tia coruja - Meu sobrinho Lincoln, no palco do Teatro em Campo Mourão, em homenagem a Lennon, dia nove. Saudade de ouvir uma canção dos Beatles na voz do Lincoln. O outro sobrinho Flávio, vive em Londres com a namorada Mel. Foram visitar Stratford-upon-Avon, lá onde Shakespeare nasceu e me escreveram dizendo que pensaram em mim, e que gostariam que um dia eu aparecesse por lá, pela terra do William. Quiçá? O postal que enviaram de Londres é para me atiçar mesmo. E neste ambiente todo Inglaterra, culminou com um filme que vi, baseado na vida de Jane Austen. Tem gente que me procura em Curitiba, mas, faz tempo que eu deixo um esqueleto cansado fechado em um apartamento em um bairro chamado Portão e vou para outras paragens. Os lugares confessáveis eu publico. Algumas coisas só quando escrever minha biografia. Penso que está na hora de começar a escrever a minha história, para tal qual Fernando Pessoa disse no poema Tabacaria - Para provar que sou sublime.
Sunday, October 12, 2008
Fausto Wolff

Wednesday, October 08, 2008
Patchwork #4

Magnólia sabia que não era só corpo.
Enrustida dentro vibrava em agonia ou alegria:
A alma.
A alma tem o peso de um beija-flor.
21 gramas.
Sabia depois de Guillermo Arriaga e de seus enredos únicos. Finalmente o cinema americano tinha alma, embora fosse alma de um mexicano. Tinha alma e ela pesava 21 gramas.
Na infância a percepção da alma trazia um estranhamento que a tirou do tédio.
Então somos algo mais...
Mais que barro, bem mais que terra & água modeladas por um Criador.
O sopro de Deus tinha 21 gramas e inflava dentro esta angústia ou esta sensação de hosana.
Sabia que a alma pesava pouco quando era feliz. Elevava a potências infindas quando vinha a dor. A dor aumentava o volume metafísico do elemento que nos aproximava de um éden.
Magnólia não gostava de perder tempo pensando no éden. Achava um desperdício viver em função do desconhecido.
Achava enganação acreditar no perdão e em reinos que cobririam todas as dores...
Na varanda do amado, em um final de inverno, ela veria o beija-flor.
A um palmo de seu rosto.
Penugem de veludo verde escuro olhos mínimos negros.
Esteve mais próxima do beija-flor que jamais estivera de outra alma.
Um diálogo de olhares de Magnólia com o beija-flor:
- Voas?
- Por vezes...
Foi a resposta de Magnólia à súbita interrogação.
Para provocá-lo pensou – sabendo que eles lêem mente como todos os pássaros...
- Minha alma tem o peso da constelação Ursa Maior -O beija-flor arregalou os olhos negros e teve pena de Magnólia.
Ela queria tocar o veludo verde que cobria o corpo mínimo e ele se foi sem que ela tivesse tempo de estender as mãos.
Monday, October 06, 2008
patchwork #3
Saturday, October 04, 2008
patchwork #2

a insistência em prolongar o céu
só sabem manchar o belo
rasurando as tintas
que um pintor sábio traçou
cronologia sonsa, inócua
um dia em teus braços
sela o éden
por uma vida
dura mais que uma década
de noites frias
regadas à vinho Santa Ana
Bárbara Lia
patchwork #1

bebendo chispas/raios mel
dos olhos teus
lágrimas caindo no rio
pentagrama
compasso de folhas
acordes de pássaros
Wednesday, October 01, 2008
Sunday, September 28, 2008
Ao ritmo do tempo

com as próprias mãos
Friday, September 26, 2008
Poema

Tangência
de ferros nos trilhos rasga em ternura
Que ofende
de tão bela.
Existirá
paisagem de dor mais fecunda que
Trens
rasgando trilhos?
Nuvem ao
redor, que nuvem aquela?
Cenário
trepida por trás de uma cortina
Estremecida
Até o ar
se emociona quando o trem se aproxima
Diante
dele a ternura de açúcar fervido
balançando
em dobras de olvido
Esquecer!
Ser este
trem que parte e vai levando diante dele
Uma
cortina
Nossos corações diluídos acima dos trilhos
Eu e
você... Recorda?
Recorda a
fumaça do teu cigarro
Tua pele
clara, o gozo líquido
-
Cortinas de açúcar -
Recorda?
Recordam
– eternamente –
Trens
triturando trilhos
Bárbara Lia
O sal das rosas (2007 - Lumme Editor)
Thursday, September 18, 2008
kamikazes

Nenhuma música
Nas nuvens que passeiam,
BÁRBARA LIA
Wednesday, September 17, 2008
Saturday, September 13, 2008
Tarsiwald
Sunday, September 07, 2008
O lobo eterno
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IDADE
.
Às vezes,
Os deuses que fodem
Na névoa do teu cérebro
Se vingam.
Outras não.
Por via dessas dúvidas
Etílicas
É preciso tomar cuidado.
Livra-te, portanto,
Do canalha, idiota, torturador
Que, sorridente,
Enche o teu saco
Na mesa ao lado.
..
...
.
.
O INVASOR
.
Dizem que não trabalho as vírgulas.
Acusam-me de ignorar as hipérboles.
Riem dos pontos da minha exclamação.
O único Alexandrino que conheço
Era almirante em Botafogo.
Querem um poeta que ponha a rima rica
No fogo.
Não sei ser tão complicado.
Minhas metáforas entendem
Seu próprio significado.
.
...
.
LIVRO
.
Nem sei como me ajeitei
Sem me machucar muito
Na máquina de moer fé.
Acho que fui protegido
Por um livro
Achado no lixo
Chamado Robinson Crusoé.
..
...
.
LIBERDADE
.
Fure os tímpanos
Corte a língua,
Vaze os olhos com um garfo,
Ponha ácido nas narinas,
Corte as mãos.
Dance na escuridão da cela
Do tamanho do seu caixão.
Então sim, possibilidade.
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FAUSTO WOLFF - O pacto de Wolffenbüttel e a recriação do homem (Bertrand Brasil, 2001) este livro tem na contra-capa uma carta do Manoel de Barros...
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Carta de Manoel de Barros sobre o primeiro livro de poesia - Cem poemas de amor e uma Canção despreocupada.
Campo Grande 5/11/00
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Caro poeta Fausto Wolff,
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Você não tinha nada que pedir desculpas por sua poesia que é poesia que é poesia. O que a gente sente é que você pegou a tarefa de livrar o mundo de suas chagas. Trabalhou e trabalha ainda através de seu verbo sarcástico para atacar as hipocrisias, etc. Por tudo isso o poeta foi abafado. Estava lendo os seus poemas com a Stella e ela comentou: como que um homem tão enorme, tão comunista e tão alcoólatra (como está confessando) pode ter uma alminha de borboleta e de passarinho! Eu respondi: é porque o Fausto brigador abafou o poeta. E porque a liberdade do poeta é terrível carcerária. Só agora deixou escapar por uma fresta a sua alminha de ternuras. Nossos parabéns e nossos beijos.
Stella e Neguinho.
...
Última crônica do Fausto Wolff:
http://jbonline.terra.com.br/extra/2008/09/05/e050910341.html
Friday, September 05, 2008
Música para sair do carro

Inicia hoje o MUSICA PARA SAIR DO CARRO, uma proposta de reflexão sobre o uso irrestrito dos automoveis em Curitiba e a preferência deste modal de transporte sobre todos os demais. Os carros degradam o espaço urbano,destroém o silêncio, poluem o ar puro, agridem e matam irrestritamente. O urbanismo deve levar em consideração as pessoas e não as maquinas. A rua como espaço de convivência, encontro e dialogo acontece pela valorização dos ciclistas e pedestres. Ruas com pessoas, musica, arte e interatividade. Ruas com vida.
Esta atividade faz parte do calendario do
ARTE BICICLETA MOBILIDADE
http://www.artebicicletamobilidade.wordpress.com/
que/ esta reunindo diversos artistas, grupos e pensadores em torno da questão da bicicleta na cidade. O auge do evento acontecera no dia 22 de setembro, DIA MUNDIAL SEM CARRO, com uma conversa com os candidatosa prefeito sobre as bicicletas na cidade e a MARCHA DAS 1000 BIKES, com saida marcada pras 18hs na reitoria da UFPR. Valelembrar que os candidatos estão convidados a comparecer de bicicleta para comprovar a falta de estrutura ciclistica da 'capital ecologica'.
Serviço:
MUSICA PARA SAIR DO CARRO
Local:
Esquina das ruas Augusto Stresser e Barão de Guarauna
Horario:
A partir das 18hs
Monday, September 01, 2008

Passei a vida inteira comendo sonhos
Comendo sonhos como os homens das cavernas comiam carne crua
Passei a vida inteira comendo possibilidades abortadas
Recolhi a flor no ventre escuro do caule
Acendi estrelas com incenso em brasa
Passei uma vida de encantar o tolo e encantar-me pelo nada
Só tua carne me alimenta
Só tua possibilidade é o parto de uma nebulosa de gerânios
Eu, a parteira, recebendo mil flores entre os dedos
Só tu acendes estrelas com teus dedos de carne
Bárbara Lia
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La nave va...
Ilya! (Vmesto Pis'ma) - Bárbara Lia - para Connor Storrie
“Ilya! Vmesto Pis’ma” é o título perfeito para o que escrevi, fulminada de encanto e admiração pela Arte de Connor Storrie. Em lugar de uma...
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Amedeo Modigliani Paris e um amor Ode de absinto E dança A voz de Piaf acorda As pedras de um beco: “C'est lui pour moi Moi pour lui...
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Serviço: Lançamento da 2a. Temporada da websérie Pássaros Ruins Data: 11/09/2016 - Domingo Local: Cinemateca de Curiti...
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Javier Beltrán (Federico García Lorca) e Robert Pattinson (Salvador Dalí) em uma cena do filme - Poucas Cinzas - que revi e voltei a sentir...
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(Leitura poética de “Trato de Levante”) Livre. O poeta é livre. Canta Neruda com amor revolucionário. Depois que tanto...
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Louis Garrel _ Cena de "La Belle Personne" de Christophe Honoré "O poeta escreve sobre oceanos que não conhece...
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F rida inventou um novo verbo para dizer “Eu te amo”: Yo te cielo. Rimbaud queria reinventar o amor: L'amour est à réinventer. Quiç...
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INSÔNIA Este é o século da nossa insônia Mentes plugadas em telas isonômicas Longe dos mitos e da cosmogonia Dopados de “soma” e ...






