
Wednesday, January 07, 2009
Os leões de Ramallah

Monday, January 05, 2009
como a flor e a guerra



Sim, direi ao mundo as palavras de um poeta morto há muitos séculos.
Chegam até as palavras daquele verão como ondas cansadas.
A glória de quem move todo o mundo escrevia,
Só em todas as madrugadas como a flor e a guerra.
Como a flor e a guerra.”
Do filme: El camino de los Ingleses
De Antonio Banderas
Sunday, January 04, 2009
Maysa
..."Se sou feliz? Felicidade é coisa de gente burra"
Maysa
...
qualquer um o sabe
- O coração tem domicílio
no peito.
Comigo
a anatomia ficou louca.
Sou todo coração -
Maiakóvski
Thursday, January 01, 2009
à espera do búfalo
O homem marca o tempo
O tempo marca o homem
.
O homem sonha as estrelas
As estrelas sonham o homem
(despencam carentes cadentes)
.
O homem vem do (e volta ao) pó
O pó (de alguns) gruda nas sandálias
da eternidade.
Bárbara Lia
Monday, December 29, 2008
o nove
Certa noite eu estava em uma platéia e ouvi Ana Miranda dizer que ficou nove anos mergulhada nos arquivos de bibliotecas pesquisando sobre Gregório de Matos. Ela encontrava as pessoas e elas perguntavam - o que você anda fazendo? indagavam do seu sumiço e ela dizia - estou escrevendo um livro. "Boca do inferno" é um dos melhores livros que li. Gosto deste caminho que Ana trilhou. Impossível um poeta não amar um livro sobre outro poeta. Ana Miranda repetiu a dose com Augusto dos Anjos e Gonçalves Dias. "A última quimera" e "Dias & dias". Ela consegue trazer para dentro do livro o clima, o ambiente pesado que cercava Augusto dos Anjos, a dor do amor de Gonçalves Dias - Enfim te vejo! — enfim posso, / Curvado a teus pés, dizer-te, / Que não cessei de querer-te, / Pesar de quanto sofri. - A cena surreal onde o outro poeta queima todos os seus escritos depois de ler os poemas de Augusto.
*
O nove chega e com ele a lembrança de Joaquim Nabuco. Um dia copiei esta carta de Nabuco onde ele diz do nove - O último ano de sua vida, o ano que ele percorreu inteiro foi 1.909. Ele morreu no início de 1.910. O que será o 09?
Nabuco enviou a Graça Aranha no dia 1° de dezembro de 1.908:
Eu já começo a ver a sombra do novo nove. Já lhe disse que os nove marcam sempre novas fases de minha vida desde 1.849, o nascimento.
É curioso lembrar: 49, o nascimento; 59, o internato (a separação de casa); 69, o Recife; 79, o Parlamento e a Abolição; 89 o casamento e a queda da Monarquia; 99, a diplomacia.
Que será o novo sem mais nada, o 09?
.
*
Pablo Arrabal é personagem do livro Solidão Calcinada. Um poeta que se uniu aos rebeldes revolucionários no final dos anos sessenta. Pablo Arrabal é meu primeiro heterônimo, pois lhe dei uma vida e escrevi versos vestindo a sua carne. Mesmo alguns poemas que emprestei a ele parece não serem mais meus.
Alguma poesia do livro que lancei este ano:
.
MINUANO NO SUL SOMBRIO
Teu olhar por entre as frestas da veneziana – um sinal.
Jamais eu teria inteira a tua figura que me assola.
Jamais estaria contigo amor em chama em todas as horas.
Ainda assim no sul sombrio um amor sem igual.
Um jardim de poltronas de ferros – brancos.
Uma noite de estrelas em desalinho – brancas.
Duas taças tilintando em vida & vinho - branco.
E aquele teu jeito precioso de cruzar as tuas pernas – brancas.
Mas sempre que o amor ardia em teu olhar azul,
Sabia que o amor eu só o teria ali, pleno amor ardente no sul.
Vento minuano no sul sombrio.
Chuí inteiro abraçando tua partida e o meu vazio.
pg. 12
.
GERÂNIOS
Pessoas regam gerânios
Na manhã de primavera.
A voz do repórter Esso
Informa meias-verdades.
Não diz da minha carne
Costurada pelas chamas
Nesta masmorra.
A minha voz quer ser a voz
Que propala
Romper os muros. Pisar
Em parapeitos inocentes
Regar com meu sangue
As flores brancas.
Delatar o que não sabem.
Dizer das catacumbas tristes.
Que o repórter Esso não conta.
Os gerânios sabem
E choram no solo da Pátria.
Ninguém entende a flor.
Não aprenderam o idioma do gerânio
Nem percebem seu pranto.
pg. 17
.
SHANGRILÁ
Luz exangue do dia que se vai
Lençóis de estrelas
Perfume suave
Da malha negra
Espia nosso amor
Azul intolerável me abraça
Ouço uma canção africana
Sonho uma cena:
Brancas melenas
Cigarro bailando em seus dedos
Charme cruel.
Tempo marcando a seqüência
Inexata, sinuosa:
Dois pássaros
Unidos pelo fio invisível
Do amor real.
pg. 20
.
Sunday, December 28, 2008
os livros que mais gostei em 2.008
Saturday, December 27, 2008
por Darwich e Fausto Wolff pelas crianças da Palestina


Uma nuvem na minha mão
Fere-me uma nuvem na mão: não
quero da terra mais do que
esta terra: o cheiro do cardamomo e da palha
entre o meu pai e o cavalo.
Na minha mão há uma nuvem que me feriu, mas
não quero do sol mais do
que a bola laranja, mais do que
o ouro que derramam as palavras ouvidas.
***
Selaram os cavalos,
não sabem por quê,
mas selaram os cavalos
no final da noite, e esperaram
sair um fantasma das rachaduras...
traducao de Michel Sleiman
-minimo fragmento do poema - uma nuvem na minha mao.
PARA CESSAR-FOGO NA FAIXA DE GAZA - abaixo assinado para o Conselho de Segurança da ONU, União Européia, Liga Árabe e EUA:
http://www.avaaz.org/po/gaza_time_for_peace/97.php?cl_tf_sign=1
Friday, December 19, 2008
À sombra de um rio I

À sombra de um rio II

de fogo
onde queima
a aurora.
.
Tudo isto
é mármore!
foi carne
vermelho abandono
amor petrificado
.
Antes do fim
às margens
do Rio Loire
nossa carne carmim
foi mármore
Bárbara Lia
(Fragmento de "Sakountala")
À sombra de um rio III

Tuesday, December 16, 2008
Wednesday, November 19, 2008
SAKOUNTALA
Sakountala - Camille Claudel..
.
.
Cinzel de prata
Cinzel de prata treme
Rodin!
Tantos pés teci
esquerdo / direito
Tantos pés emprestei-te
Augusto espectro
Sei!
Mas, antes
Antes do fim
Hamadryade
Poesia escrita com cinzel
Ninfa das árvores
.Hamadryade orgulhosa
.
.(Trinta anos descolorem
.
Estes que rolam em cascatas
Esculpe em astros abrasados
Monday, November 17, 2008
Cronópios e Revista Lasanha

*
Revista Lasanha - no ar a edição n°11
Revista editada por Maicknuclear,
nesta edição minha poesia - Flora
(link ao lado)
Tristessa

ESTOU EM UM TÁXI com Tristessa, bêbado, com uma garrafa de uísque Juarez Bourbon no malote de dinheiro da ferrovia que eles me acusaram de roubar da estrada de ferro em 1952 - aqui estou eu na Cidade do México, um sábado à noite, chuvoso, mistérios, velhas ruas laterais de sonho e sem nomes passam vertiginosamente, a ruazinha onde eu caminhara por entre multidões de vagabundos índios enrolados em mantas trágicas, suficientes para fazer você chorar, e você achou ter visto facas reluzindo sob as dobras - sonhos lúgubres tão trágicos quanto aquele da Velha Noite da Estrada de Ferro, com meu pai sentado com suas coxas grandes no vagão de fumantes da noite, cochilando enquando seguia pelos trilhos vastos, enevoados e tristes da vida - mas agora estou no alto daquele platô vegetal que é o México, a lua de Citlapol com quem eu esbarrava algumas noites antes no telhado sonolento a caminho do antigo banheiro de pedra com goteira - Tristessa está doidona, linda como sempre. Vai alegre para casa deitar na cama e curtir sua morfina.
ame quem te ama e conheça o inferno
Bárbara Lia (A última chuva)
Friday, November 14, 2008
quichiligangues

Thursday, November 13, 2008
Porque Era Ela, Porque Era Eu (CHICO BUARQUE)
Ela mais eu, por que eu e ela
Não conhecia poemas
Nem muitas palavras belas
Mas ela foi me levando
Pela mão
Íamos tontos os dois assim ao léu
Ríamos, chorávamos sem razão
Hoje, lembrando-me dela
Me vendo nos olhos dela
Sei que o que tinha de ser se deu
Porque era ela
Porque era eu
Cássio Amaral
.
Tramo um poema
que abre
a porta do átimo
no buraco negro
destrambelhando
a trama
na tramela
do oráculo
perturbação
no inaudível
corte da espada
imprevisível
de um samurai
.
SONNEN
- edições JAR - Araxá - MG, 2008.
prefácio Rodrigo de Souza Leão
http://www.cassioamaral.blogspot.com/
Monday, November 10, 2008
Variações sobre o mesmo tema: Machado de Assis

-
Friday, November 07, 2008
Romance LXXV ou De Dona Bárbara Heliodora
Há três donzelas sentadas
na verde, imensa campina.
O arroio que passa perto,
com palavra cristalina,
ri-se para Policena,
beija os dedos de Umbelina;
diante da terceira, chora,
porque é Bárbara Heliodora.
Córrego, tu por que sofres,
diante daquela menina?
Semelha o cisne, entre as águas;
na relva, é igual à bonina;
a seus olhos de princesa
o campo em festa se inclina:
vê-la é ver a própria Flora,
pois é Bárbara Heliodora!
(Donzela de tal prosápia,
de graça tão peregrina,
oxalá não merecera
a aflição que lhe destina
a grande estrela funesta
que sua face ilumina.
Fosseis sempre esta de agora,
Dona Bárbara Heliodora!
Mas a sorte é diferente
de tudo que se imagina.
E eu vejo a triste donzela
toda em lágrimas e ruína,
clamando aos céus, em loucura,
sua desditosa sina.
Perde-se quanto se adora,
Dona Bárbara Heliodora!)
Das três donzelas sentadas
naquela verde campina,
ela era a mais excelente,
a mais delicada e fina.
Era o engaste, era a coroa,
era a pedra diamantina...
Rolaram sombras na terra,
como súbita cortina.
Partiu-se a estrela da aurora:
Dona Bárbara Heliodora!
CECÍLIA MEIRELES
- Romanceiro da Inconfidência -
Thursday, November 06, 2008
Propriamente Dita
La nave va...
Ilya! (Vmesto Pis'ma) - Bárbara Lia - para Connor Storrie
“Ilya! Vmesto Pis’ma” é o título perfeito para o que escrevi, fulminada de encanto e admiração pela Arte de Connor Storrie. Em lugar de uma...
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F rida inventou um novo verbo para dizer “Eu te amo”: Yo te cielo. Rimbaud queria reinventar o amor: L'amour est à réinventer. Quiç...
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É incrível que elas tenham nascido na mesma data, Clarice em 10 de dezembro de 1920 em Chechelnyk, Ucrânia e Emily Dickin...
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INSÔNIA Este é o século da nossa insônia Mentes plugadas em telas isonômicas Longe dos mitos e da cosmogonia Dopados de “soma” e ...


