
Nenhuma música
Nas nuvens que passeiam,
BÁRBARA LIA

.
IDADE
.
Às vezes,
Os deuses que fodem
Na névoa do teu cérebro
Se vingam.
Outras não.
Por via dessas dúvidas
Etílicas
É preciso tomar cuidado.
Livra-te, portanto,
Do canalha, idiota, torturador
Que, sorridente,
Enche o teu saco
Na mesa ao lado.
..
...
.
.
O INVASOR
.
Dizem que não trabalho as vírgulas.
Acusam-me de ignorar as hipérboles.
Riem dos pontos da minha exclamação.
O único Alexandrino que conheço
Era almirante em Botafogo.
Querem um poeta que ponha a rima rica
No fogo.
Não sei ser tão complicado.
Minhas metáforas entendem
Seu próprio significado.
.
...
.
LIVRO
.
Nem sei como me ajeitei
Sem me machucar muito
Na máquina de moer fé.
Acho que fui protegido
Por um livro
Achado no lixo
Chamado Robinson Crusoé.
..
...
.
LIBERDADE
.
Fure os tímpanos
Corte a língua,
Vaze os olhos com um garfo,
Ponha ácido nas narinas,
Corte as mãos.
Dance na escuridão da cela
Do tamanho do seu caixão.
Então sim, possibilidade.
.
FAUSTO WOLFF - O pacto de Wolffenbüttel e a recriação do homem (Bertrand Brasil, 2001) este livro tem na contra-capa uma carta do Manoel de Barros...
.
Carta de Manoel de Barros sobre o primeiro livro de poesia - Cem poemas de amor e uma Canção despreocupada.
Campo Grande 5/11/00
.
Caro poeta Fausto Wolff,
.
Você não tinha nada que pedir desculpas por sua poesia que é poesia que é poesia. O que a gente sente é que você pegou a tarefa de livrar o mundo de suas chagas. Trabalhou e trabalha ainda através de seu verbo sarcástico para atacar as hipocrisias, etc. Por tudo isso o poeta foi abafado. Estava lendo os seus poemas com a Stella e ela comentou: como que um homem tão enorme, tão comunista e tão alcoólatra (como está confessando) pode ter uma alminha de borboleta e de passarinho! Eu respondi: é porque o Fausto brigador abafou o poeta. E porque a liberdade do poeta é terrível carcerária. Só agora deixou escapar por uma fresta a sua alminha de ternuras. Nossos parabéns e nossos beijos.
Stella e Neguinho.
...
Última crônica do Fausto Wolff:
http://jbonline.terra.com.br/extra/2008/09/05/e050910341.html


Passei a vida inteira comendo sonhos
Comendo sonhos como os homens das cavernas comiam carne crua
Passei a vida inteira comendo possibilidades abortadas
Recolhi a flor no ventre escuro do caule
Acendi estrelas com incenso em brasa
Passei uma vida de encantar o tolo e encantar-me pelo nada
Só tua carne me alimenta
Só tua possibilidade é o parto de uma nebulosa de gerânios
Eu, a parteira, recebendo mil flores entre os dedos
Só tu acendes estrelas com teus dedos de carne
Bárbara Lia
...

Rebecca Loise - por Mariana AlvesNossa "Camilla" está loira por conta da novela atual... Não está loira no filme - Nome Próprio. O filme inspirado na obra de Clarah Averbuck, dirigido por Murilo Salles recebeu o Prêmio de Melhor Filme Brasileiro no Festival de Gramado. O filme ganhou também o prêmio - Melhor Direção de Arte, e Melhor Atriz - Leandra Leal. Não há previsão de quando o filme estará aqui em Curitiba, mas, antevejo um instante digno de Fante, embora filtrado pela lente do cinema moderno. Em poucas cenas que vi, bebi a intensidade de Leandra, e mesmo que o roteiro tenha sido adaptado da obra de Clarah - quem lê seus escritos sabe da sua paixão por Fante - deve ter filtrado a intensidade do amado mais que amado - Fante.
O que acontece com o cinema e as adaptações é que a linguagem é outra e o texto nu e cru que está no livro não pode saltar para a tela (ou pode?). Li nos blogs da Clarah e do Bortolotto (que teve sua peça - Nossa vida não vale um Chevrolet - transformada em filme) um estranhamento, o desejo de dizer que aquele roteiro do filme não é deles, enfim. É um momento crítico, que leva o autor (sua obra, no caso) a ultrapassar a sua própria cena e ingressar em um outro caminho. Mas, é possível entender a angústia dos dois escritores quando tentam dizer que aquele roteiro não é deles, e eu sei que isto é um espanto genuíno, nunca para causar polêmica.
Sobre outras linguagens...
Os curtas que assisti na Biblioteca Pública, no lançamento do livro de Adriano Esturilho - [Cancha 2] cantigas para perverter juvenis - difere - do longa Nome Próprio - foi uma parceria e o autor pareceu feliz, bem feliz com o resultado. Particularmente, eu gostei muito, e depois de ver alguns poetas musicando seus poemas, vi um autor filmando seus contos. Muito interessante e bonito. Adriano é parceiro e diretor em alguns deles, convidou os amigos. Foi uma experiência nova. Um livro que tem um dvd encartado, alguns contos transformados em curta. Adriano Esturilho, Bia Dantas, Bruno de Oliveira, Eduardo Baggio, Fábio Allon, Henrique Faria, Rodrigo Belatto e Sérgio Veloso estão no Projeto. É sempre um adendo, o livro acoplado ao cd, ao dvd. E as leituras dos cineastas de Curitiba, alguns ainda estudantes na Escola de Cinema - Cine TV-Pr, uma escola que o Governo do Estado criou aqui em Curitiba, coordenada pela Ittala Nandi. Os cineastas daqui estão fazendo suas leituras dos textos poéticos e em prosa...
O cineasta Terence Keller está realizando um filme baseado na poesia do meu amigo Rodrigo Madeira - Balada da Cruz Machado - boa notícia!
A poesia do Madeira:
http://baladadacruzmachado.blogspot.com/2008/03/balada-da-cruz-machado.html
Clara Averbuck:
http://adioslounge.blogspot.com/
Mário Bortolotto:
http://atirenodramaturgo.zip.net/
Terence Keller:
http://www.diinamo.blogspot.com/



.
.
.
.
Modigliani
“Ilya! Vmesto Pis’ma” é o título perfeito para o que escrevi, fulminada de encanto e admiração pela Arte de Connor Storrie. Em lugar de uma...